A população brasileira está em alerta contra o Aedes aegypti, transmissor de dengue, chicungunha e zika vírus. Atentos aos surtos dessas doenças, os donos de animais de estimação passaram a questionar os veterinários se os bichinhos também estariam sujeitos à infecção por esses vírus. A boa notícia é que os pets estão livres desses males.

“Existem muitas zoonoses que têm sintomatologia muito parecida com a dengue, zika ou chicungunha. Por isso, é cada vez mais comum que os donos dos animais fiquem em dúvida e questionem se os bichinhos podem estar com uma dessas doenças. Mas hoje não existem casos registrados na medicina mostrando que os pets possam ser contaminados”, conta a veterinária clínica Regiane Bezerra.

Já o biólogo Sérgio Santos explica que, na natureza, existem doenças que estão naturalmente presentes no organismos de alguns animais. Esses males, no entanto, quando são encontrados em outras espécies podem gerar problemas. “O tatu, por exemplo, é hospedeiro natural da doença de chagas, mas no homem ela é extremamente prejudicial e pode até levar à morte”, pontua.

Ele orienta  ainda que, embora os animais domésticos não desenvolvam dengue, chicungunha ou zika, não significa que eles não sejam picados pelos mosquitos. “O Aedes se alimenta de sangue. Se ele está em meio selvagem ele pica qualquer animal. Mas como está numa situação de cidade, onde a população humana é muito maior, é menos provável que um cão seja picado. Até porque o mosquito escolhe o alvo e os animais têm pelos, o que dificulta isso”, pondera o biólogo Sérgio Santos.

Embora os pets não sejam contaminados pelas arboviroses transmitidas pelo Aedes, os mosquitos dos gêneros Aedes, Culex e Anopheles, são transmissores de outra doença: a dirofilariose, também conhecida como verme do coração. Esse mal é uma zoonose que ataca preferencialmente cães, mas também outros mamíferos domésticos e até mesmo o homem.

A veterinária Regiane Bezerra alerta, inclusive, que com o aumento no número de mosquitos nas regiões litorâneas, os registros de casos de dirofilariose também têm crescido. “Não é uma doença muito comum, mas que agora está sendo mais identificada nos consultórios. O diagnóstico pode ser feito através de um teste sanguíneo que dá um resultado preliminar em até oito minutos”, explica a especialista.

Os primeiros sintomas de que o animal pode estar com dirofilariose são fadiga, dificuldade de respirar e febre. Com esses sintomas, os veterinários podem realizar exames mais aprofundados como ultrassom do coração – principal órgão afetado pela doença – ou raio-x de tórax. A médica ainda lembra que outros mosquitos, como o palha, ainda podem transmitir outros males como a leishmaniose.

“Mesmo sendo menos comum os animais serem picados por mosquitos, principalmente por causa dos pelos, eles são tão vulneráveis quanto nós [humanos] porque gostam de dormir com a barriguinha [onde tem menos pelos] para cima, ou os mosquitos podem atacar as orelhinhas”, comenta a médica veterinária. Desta forma, a prevenção ainda é a melhor opção para evitar as doenças transmitidas pelos mosquitos.

Retire a água parada no quintal;
Limpe folhas e a sujeira de calhas, pois isso dificulta o escoamento da água;
Coloque areia nos pratos de vasos de planta e monitore o volume de água;
Mantenha a lata de lixo e os ralos devidamente tampados;
Cubra caixa d’água, piscinas e aquários;
Guarde baldes e garrafas vazias virados para baixo;
Lave e troque diariamente a água de bebedouros de cães, gatos e passarinhos;
Verifique se há água acumulada nas bandejas dos aparelhos de ar condicionado;
Fonte: NE10