Por Emily Sohn

É fácil olhar para animais enjaulados ou engaiolados e pensar que, como nós, eles devem se entediar com uma existência tão limitada.

Embora seja impossível saber o que outras criaturas estão pensando, um novo estudo é o primeiro a demonstrar experimentalmente sinais de tédio em animais pouco ativos.

Para o estudo, pesquisadores da Universidade de Guelph, no Canadá, trabalharam com 29 martas criadas em cativeiro. Alguns animais foram colocados em jaulas de tela metálica, onde viveram durante sete meses antes do início dos experimentos.

Outro grupo morou em gaiolas idênticas, mas tinham acesso a um túnel que os levava a um espaço maior, onde eram apresentados a atividades estimulantes, como escalar plataformas, brincar com cachorros de borracha e outros objetos, e mergulhar a cabeça em um tanque de água. A cada mês, esses animais recebiam estímulos diferentes.

Quando os experimentos começaram, os pesquisadores apresentaram a cada animal uma nova série de experiências, incluindo lufadas de vento, velas perfumadas e escovas de dente elétricas.

Para os animais, não importava se o estímulo era gratificante, estressante ou neutro, relataram os pesquisadores na revista científica PLOS ONE. Os animais mantidos em gaiolas “entediantes” demonstraram maior interesse por coisas novas.

Eles também comeram mais alimentos disponíveis durante os experimentos, mesmo quando não estavam com fome, e passaram mais tempo acordados que os animais que tiveram uma rotina mais variada.

Todos esses comportamentos são indícios potenciais de tédio, concluíram os pesquisadores.

O tédio é uma emoção difícil de definir. Entre seres humanos, as reações a esse estado variam da apatia à depressão, ou à busca por aventuras radicais. Segundo os pesquisadores, o estudo é um valioso primeiro passo para se descobrir se diferentes animais ficam entediados e como isso acontece, e o que pode ser feito para tornar sua vida mais satisfatória.

“Embora não possamos determinar com exatidão se a experiência subjetiva dos animais é similar à do tédio relatado por humanos, seu comportamento foi compatível com esse estado”, escreveram os pesquisadores. “Reduzir o tédio é, com frequência, o objetivo de uma experiência enriquecedora, mas ainda não pudemos avaliar seu sucesso na realização desse objetivo”.