Foto: SOS Mata Atlântica/Divulgação

A Mata Atlântica continua “pedindo socorro” no Brasil. Pressionado pela excessiva exploração humana, o maior trecho latitudinal contínuo de floresta tropical do mundo teve a população de mamíferos reduzida à metade desde o início da colonização, há cinco séculos. As principais vítimas são animais de médio e grande portes, como onças-pintadas e antas, segundo pesquisa divulgada na última edição da revista científica Plos One.

“A diversidade de mamíferos da outrora majestosa Mata Atlântica foi reduzida em grande parte a uma sombra pálida de seu antigo eu”, lamenta o pesquisador Juliano Bogoni, da Universidade de São Paulo (USP), líder do estudo, no artigo de divulgação dos resultados. A pesquisa também contou com a participação de Carlos Peres, professor da Universidade de East Anglia (UEA), no Reino Unido, e de colaboradores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A equipe comparou inventários da Mata Atlântica publicados nos últimos 30 anos com dados sobre a biodiversidade da área na época do Brasil Colonial. As análises mostraram que a pressão de atividades humanas – principalmente a agricultura, a extração de madeira e os incêndios – reduziram drasticamente o tamanho do bioma, o que teve impacto significativo nas populações de mamíferos.

Houve perdas de indivíduos em cerca de 500 espécies. Ao considerar grupos de animais, os pesquisadores concluíram que os mais afetados foram os grandes carnívoros, como onças-pintadas e pumas, e herbívoros de grande porte, a exemplo das antas. “Esses habitats estão severamente incompletos, restritos a remanescentes florestais insuficientemente grandes e presos em um vórtice de extinção em aberto. Esse colapso é sem precedentes tanto na história quanto na pré-história e pode ser diretamente atribuído à atividade humana”, diz Juliano Bogoni.

Para Carlos Peres, os resultados destacam a “necessidade urgente de ação na proteção desses frágeis ecossistemas”. “Em particular, precisamos realizar estudos mais abrangentes em escala regional para entender os padrões locais e os determinantes da perda de espécies. Os esforços para proteger a Mata Atlântica e outros ecossistemas de florestas tropicais geralmente se baseiam em vontade política e políticas públicas robustas. Por isso, precisamos de dados convincentes para impulsionar a mudança”, afirma o cientista.

Plantio

Pesquisadores da Universidade de York, no Reino Unido, descobriram que o início do cultivo de plantas nas Américas está ligado à Mata Atlântica. Ao analisar dentes e outros ossos encontrados no sul do Brasil, a equipe concluiu que seres humanos podem ter cultivado plantas em uma estreita faixa costeira do país há 4,8 mil anos.

“A costa da Mata Atlântica tem sido em grande parte periférica nessa narrativa, apesar de sua biodiversidade única de plantas e registro arqueológico de ocupação humana densa. Nosso estudo desafia essa visão tradicional”, diz André Colonese, autor sênior do trabalho, divulgado no Royal Society Open Science, no artigo científico.

A equipe detectou indícios de alto consumo de alimentos ricos em carboidratos, o que, de acordo com Colonese, sugere que populações permanentes subsistiam de uma economia mista e, possivelmente, de plantações de inhame e batata-doce. Outras evidências ajudaram na conclusão: como ferramentas de pedra para processamento de plantas e restos de plantas aprisionadas no tártaro dos dentes.

Fonte: Revista Encontro

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