Técnicas de manejo florestal como poda de árvores, pode ajudar os arganazes a se recuperar, dizem os cientistas | Foto: Charlie Elder

Técnicas de manejo florestal como poda de árvores, pode ajudar os arganazes a se recuperar, dizem os cientistas | Foto: Charlie Elder

O arganaz, uma das espécies florestais mais queridas do Reino Unido, enfrenta uma corrida contra a extinção. O número de animais caiu mais de 70% em apenas duas décadas, alertam os cientistas.

Arganazes são mamíferos roedores de hábitos noturnos que vivem em florestas. Eles correm pelos galhos, se alimentam de pequenos frutos e nozes, e usam as cavidades nos troncos das árvores para fazer seus ninhos.

O Arganaz Avelã – o único tipo nativo da Grã-Bretanha – luta contra a perda de habitat, mudanças climáticas e práticas de manejo florestal que tiveram um impacto devastador nas populações de animais em todo o país desde os anos 90.

A pesquisa realizada por uma equipe da Universidade de Exeter examinou dados de 300 locais na Inglaterra e no País de Gales, detalhando números, tendências de reprodução e mudanças populacionais em relação ao clima, habitat e manejo florestal.

Eles descobriram que os animais estavam em maior abundância e se reproduziam em maior número durante anos com verões mais quentes e ensolarados e invernos consistentemente frios.

Somando-se a isso a conectividade do habitat e o manejo ativo das florestas para aumentar a diversidade também ajudaram a elevar o número de arganazes.

Cecily Goodwin, que liderou a pesquisa, disse que o estudo “utilizou caixas ninhos, levantamentos nos locais pesquisados e voluntários ‘in loco’, descobrindo que, ao longo de 21 anos, em centenas de locais em todo o país, a presença do arganaz diminuiu em 72%”.

A taxa de declínio é tamanha que o animal pode em breve ser qualificado como “em risco de extinção” no Reino Unido.

“É difícil prever o a dimensão do declínio para o futuro, mas analisamos onde ele se enquadra na classificação da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), que identifica as ameaças às espécies. Na Grã-Bretanha, a queda está dentro da categoria ‘vulnerável’. Mas pode até se transformar em perigo de extinção”, disse ela ao jornal The Independent.

Atualmente os arganazes são protegidos pela lei europeia, é crime perturbar seus locais de reprodução ou construção de ninhos. Isso significa que os empreendedores devem inspecionar as áreas para verificar se há arganazes lá antes de qualquer ação.

“Isso é bom para prevenir a remoção de habitat, mas não é tão eficaz em promover o manejo proativo de conservação”, disse a Dra. Goodwin.

A espécie ocupa uma parte importante do ecossistema como presa de animais como as corujas, mas também é um indicador da saúde de habitats com números relacionados ao status de outras espécies.

“Os habitats preferidos pelos arganazes também são os escolhidos outras espécies em declínio, como alguns pássaros e borboletas da floresta”, acrescentou a Dra. Goodwin.

Os pesquisadores pedem por um manejo florestal que promova a diversidade para ajudar a beneficiar as espécies afetadas.

Em particular, os pesquisadores dizem que o corte pode ajudar a aumentar as chances de elevar o número de arganazes. A prática envolve cortar árvores na base para que elas cresçam com muitos e variados galhos, criando florestas mais densas com bosques mais baixos e menore.

“Havia certos tipos de práticas de gerenciamento de florestas que eram usadas com mais frequência no passado, incluindo o corte e a criação de clareiras e a manutenção das trilhas, que criavam um mosaico de diferentes idades e estruturas. Mas esse tipo de administração está em declínio ”, disse a Dra. Goodwin.

“Arganazes gostam de áreas com mais folhas e galhos, áreas de reflorestamento, e áreas com árvores mais velhas que fornecem as cavidades onde eles podem fazer seus ninhos.”

O professor Robbie McDonald, que dirigiu a pesquisa publicada na revista Mammal Review, acrescentou: “Houve um declínio do manejo florestal que cria florestas com maior diversidade e um aumento de grandes áreas com árvores maduras, de idade única, que não são habitats tão bons para os aragazes e várias outras espécies florestais em declínio, como alguns pássaros e borboletas. ”

A fundação de proteção a vida selvagem People´s Trust for Endangered Species , coletou dados da população arganaz avelã, com a ajuda de uma equipe de voluntários registrados.

Nida Al-Fulaij, da fundação, disse: “Temos trabalhado arduamente para entender a ecologia do arganaz avelã e as questões de conservação que eles enfrentam há mais de 20 anos.

“Com os dados coletados por centenas de voluntários dedicados, esta pesquisa nos permitirá trabalhar em estreita colaboração com os proprietários de florestas para garantir um futuro melhor para um dos animais mais amados da Grã-Bretanha”.

A pesquisa vem apenas alguns dias depois que uma revisão feita pela Natural England e pela Mammal Society alertou que pelo menos um quinto das espécies de mamíferos britânicos poderia ser completamente exterminado em uma década.

Os cientistas disseram que a Grã-Bretanha estava agora “em um precipício” e precisa tomar medidas urgentes para salvar seus mamíferos.

Este mês, o radialista e naturalista Chris Packham disse que o Reino Unido enfrenta um “apocalipse ecológico” e que “precisamos acordar e sentir o cheiro da extinção”.

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