A destruição de um experimento na Ilha Grande (RJ) mobilizou parte da comunidade científica brasileira – principalmente porque a responsável pelo ato é, ela própria, bióloga e professora universitária, além de ativista. Mônica Lima e mais duas amigas cortaram uma rede e libertaram pássaros capturados por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio, a UERJ. Em resposta, mais de 600 pesquisadores de todo o país assinaram uma carta aberta defendendo o estudo e o laboratório responsável, e a universidade instalou uma sindicância sobre o episódio.

Reprodução | G1

A questão começou quando a professora da UERJ Mônica Lima e mais duas amigas voltavam, por uma trilha em meio à Mata Atlântica, da praia de Parnaioca. De repente, uma das três, Márcia, deu de cara com uma rede fina de nylon atravessada no caminho. Os óculos dela foram ao chão e ela mesma ficou levemente machucada.

“A gente estava acampando na Parnaioca. Estávamos voltando pela trilha que vai até Dois Rios (um dos vilarejos da Ilha Grande). A rede estava já bem próxima de Dois Rios e, logo depois que a Márcia bateu na rede, a gente viu os pássaros presos”, conta Mônica, que é bióloga e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da UERJ. Ao todo, conta Mônica, ela e as amigas soltaram quatro pássaros que estavam presos.

Como os pássaros estavam emaranhados, foi preciso usar uma tesoura para cortar a rede em alguns pontos – para desespero das pessoas que tinham montado o dispositivo: pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Aves e Ecologia Comportamental da UERJ.

Ao mesmo tempo em que soltavam os pássaros, as três ficaram preocupadas com a possibilidade de a rede ter sido montada por caçadores, que poderiam revidar, e começaram a vasculhar as proximidades. “Foi aí que a gente encontrou esse pesquisador peruano, que estava dormindo. E uma das alunas se assustou com a gente. Começou um bate-boca”, conta Mônica à BBC News Brasil.

Os pesquisadores e parte da equipe do campus da UERJ na Ilha Grande foram à Vila do Abraão, a principal da ilha, registrar um boletim de ocorrência. Segundo Mônica, a equipe também insistiu para que ela fosse ao posto policial para registrar o boletim, mas ela se recusou.

Reprodução | G1

Campanha contra pesquisas
Ativistas em defesa dos animais, Mônica e suas amigas iniciaram um protesto contra o método da “rede de neblina” e os estudos feitos na Ilha Grande: espalharam cartazes pela ilha acusando os pesquisadores de “assassinato” de pássaros, e de “torturar” as aves com o método de pesquisa, considerado “cruel” por elas.

Mônica também divulgou um texto sobre o ocorrido no Facebook, e o assunto ganhou o público: rendeu dois vídeos em canais de ciências no YouTube (Canal do Slow e Pirula), que tiveram quase 90 mil visualizações nos últimos cinco dias.

Agora, a própria Mônica teme que a UERJ lhe imponha alguma punição, por depredação do patrimônio público – o assunto já foi discutido no Conselho Universitário da instituição. Em nota à BBC News Brasil, a instituição confirmou que abriu uma sindicância para apurar o ocorrido. “Somente após a conclusão da sindicância, garantido o amplo direito de defesa e contraditório, é que a Universidade poderá adotar alguma sanção”, disse a instituição.

Mônica também ressalta que está sofrendo ataques na internet – de fato, há vários comentários em seu perfil chamando-a de “arruaceira”, “louca” e até “bandida”. “Mas também tem muita gente me defendendo”, diz ela.

Leia mais em: https://www.anda.jor.br/2018/06/ativistas-destroem-experimento-cientifico-para-libertar-passaros-na-ilha-grande/.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Clube dos Animais.