Uma medida que pode legalizar a caça de elefantes em Botswana, país do sul da África conhecido por ser lar da maior população de elefantes do mundo, foi aprovada recentemente pelo Parlamento.

Filhote de elefante em Okavango Delta, Botswana – 25/04/2018 (Foto: Mike Hutchings/File Photo/Reuters)

Grupos de direitos animais têm realizado protestos contra a proposta, que tem como justificativa o argumento pífio de que os elefantes deveriam ser caçados como forma de controlar a população da espécie e impedir que plantações de milho cultivadas no país sejam prejudicadas pela presença dos animais.

No entanto, o argumento dos apoiadores da liberação da caça – dentre eles, o presidente de Botswana, Mokgweetsi Masisi -, não só é cruel por colocar a manutenção de lavouras como mais importante do que o respeito à vida animal, como também não tem eficácia na resolução dos conflitos entre elefantes e humanos. De acordo com o cientista do grupo conservacionista Elephants Without Borders, Mike Chase, a caça teria pouco impacto sobre o número de elefantes e na proteção das plantações. Chase explica que a preferência dos caçadores é por elefantes de grande porte e que a temporada de caça ocorre principalmente em época de seca. A presença de animais nas lavouras, no entanto, acontece quase sempre durante a estação chuvosa e é composta por elefantes jovens ou famílias inteiras.

“A variação no tempo, uso do espaço, idade e sexo dos elefantes sugerem que a caça terá um efeito limitado na resolução de conflitos entre humanos e esses animais”, explicou Chase ao jornal britânico Daily Express.

De acordo com conservacionistas, 130 mil elefantes vivem na natureza em Botswana, o que representa um terço da população da espécie em toda a África. O governo, no entanto, afirma que o número gira em torno de 230 mil.

Esforços para a conservação da espécie

Enquanto esforços internacionais, promovidos especialmente por ONGs britânicas, tentam salvar os elefantes ao exigir leis mais rígidas contra a comercialização do marfim, Botswana retrocede. As informações são da Veja.

No país, a caça da espécie foi proibida em 2014 pelo então presidente Ian Khama, após pesquisas alertarem para um declínio alarmante das populações de elefantes selvagens na região. Atualmente, o país abriga a maior população de elefantes do mundo devido à migração, à perseguição sofrida por esses animais em países vizinhos, como a Namíbia e a Angola e também ao crescimento das cidades, que reduziu o habitat dos elefantes.

Após a lei que proíbe a caça no país ser promulgada, esses mamíferos de grande porte puderam encontrar proteção legal e a presença de uma força-tarefa militar para defendê-los de caçadores. A proteção, no entanto, corre o risco de chegar ao fim devido à proposta aprovada pelo Parlamento do país. O que é preocupante, já que diariamente 100 elefantes são covardemente mortos por caçadores na África, crueldade que se tornará a realidade de Botswana caso o projeto se torne lei.

Interessados apenas no lucro, caçadores matam elefantes para comercializar o marfim dos animais, que é vendido ilegalmente a um valor de cerca de 1 mil libras (cerca de 5,1 mil reais) o quilo.

A preservação dos elefantes no continente africano é um tema importante e espera-se que seja incluso na agenda da cúpula global sobre crimes contra a vida selvagem que será realizada este ano no Reino Unido.

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