Daniel Beltrá/Greenpeace

Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace

Acadêmicos mapearam uma rede de santuários que, segundo eles, são urgentemente necessários para salvar os oceanos do mundo, proteger a vida selvagem e combater o colapso climático.

O estudo, que chega logo antes de uma votação histórica na ONU, estabelece o primeiro plano detalhado de como os países podem proteger mais de um terço dos oceanos até 2030, uma meta que cientistas e políticos dizem ser crucial para proteger ecossistemas marinhos e ajudar a combater os impactos de um mundo em aquecimento acelerado.

“A velocidade com que o alto-mar teve destruídos alguns de suas espécies mais espetaculares e icônicas, pegou o mundo de surpresa”, disse o co-autor do mapeamento Prof Callum Roberts, da Universidade de York.

“Este relatório mostra como áreas protegidas podem ser estabelecidas em águas internacionais para criar uma rede de proteção que ajudará a salvar espécies da extinção e a sobreviver em nosso mundo que tem passado por mudanças rapidamente”.

A campanha criada para proteger 30% dos oceanos do mundo até 2030 foi apoiada pelo governo do Reino Unido no ano passado. O secretário de Meio Ambiente, Michael Gove, saudou o relatório, que é o resultado de uma colaboração de um ano entre acadêmicos das universidades de York e Oxford e do grupo ambientalista Greenpeace.

“Das mudanças climáticas à pesca excessiva, os oceanos do mundo estão enfrentando um conjunto de desafios sem precedentes”, disse Gove.

“Agora é mais importante do que nunca tomar medidas e garantir que nossos mares sejam saudáveis, abundantes e resilientes. Eu me junto ao Greenpeace pedindo que o Reino Unido e outros países trabalhem juntos para um Tratado das Nações Unidas sobre o Alto-Mar que abrirá caminho para proteger pelo menos 30% do oceano mundial até 2030”.

Especialistas dizem que, além da riqueza da vida marinha e dos ecossistemas complexos, os mares altos – aquelas águas além das fronteiras dos países – desempenham um papel fundamental na regulação do clima da Terra, impulsionando a bomba biológica do oceano que captura enormes quantidades de carbono na superfície e armazena nas profundezas dos oceanos. Sem esse processo, eles alertam que a atmosfera conteria 50% a mais de dióxido de carbono e se tornaria quente demais para sustentar a vida humana.

No entanto, nas últimas décadas, os oceanos têm enfrentado uma exploração crescente de algumas nações principalmente as mais ricas que praticam pesca industrial e mineração profunda dos leitos marítimos, que combinadas com mudanças climáticas, acidificação e poluição colocam os ecossistemas marinhos sob séria ameaça – com consequências potencialmente devastadoras para a sobrevivência da humanidade.

O relatório divide oceanos globais – que cobrem quase metade do planeta – em 25 mil quadrados de 100×100 km, e mapeia 458 diferentes características de conservação, incluindo a vida selvagem, habitats e principais características oceanográficas. Finalmente, os acadêmicos modelaram centenas de cenários para o que seria uma rede de santuários oceânicos em todo o planeta, livre de atividades humanas prejudiciais.

O movimento ganha força a medida que a ONU elabora os detalhes de um novo Tratado Global dos Oceanos – um marco legal que permitiria a criação de santuários em alto-mar. A primeira das quatro reuniões da ONU foi realizada em setembro de 2018, e uma decisão final sobre o tratado é esperada para o próximo ano.

O coautor do relatório, Alex Rogers, da Universidade de Oxford, disse: “A criação de reservas marinhas é fundamental para proteger e conservar a diversidade da vida nos mares. O relatório apresenta um projeto confiável para uma rede global de áreas marinhas protegidas em alto mar com base no conhecimento acumulado ao longo dos anos por ecologistas marinhos sobre a distribuição das espécies, incluindo aquelas ameaçadas de extinção, habitats conhecidos por serem pontos altos de biodiversidade e ecossistemas únicos.

Falando sobre as negociações na ONU, a Dra Sandra Schoettner, da campanha global dos santuários oceânicos do Greenpeace, disse que a mudança climática, a acidificação oceânica, a pesca excessiva e a poluição significam que os oceanos “estão sob ameaça como nunca antes”.

“Precisamos urgentemente proteger pelo menos um terço dos nossos oceanos até 2030, e o que é tão interessante nesta pesquisa é que isso mostra que é inteiramente possível projetar e criar uma rede robusta de santuários oceânicos em todo o planeta”, disse ela.

“Este é um projeto para a proteção dos oceanos que salvaguardaria todo o espectro da vida marinha, ajudaria a enfrentar a crise que nossos oceanos enfrentam e possibilitaria sua recuperação.”

Schoettner disse ainda que aprovar o Tratado Oceânico das Nações Unidas no próximo ano seria um grande passo para a criação de um planeta sustentável, contanto que “tenha a capacidade de criar uma rede de santuários oceânicos” que estejam “fora dos limites das atividades humanas prejudiciais”.

“Isso daria à vida selvagem e aos habitats espaço não apenas para se recuperar, mas para florescer”, disse Schoettner. “Nossos oceanos estão em crise, mas tudo o que precisamos é de vontade política para protegê-los antes que seja tarde demais.”

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