Um estudo publicado neste mês, no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, pode ajudar a entender as origens pré-históricas de um de nossos passatempos mais curiosos: a dança. O artigo foi baseado em uma análise feita por cientistas de Kyoto (Japão), inspirada na observação da reação de alguns chimpanzés enquanto escutavam músicas, e que foi gravada em vídeo.

Na pesquisa, analisaram-se sete chimpanzés e suas reações aos sons produzidos por um piano. O que os pesquisadores descobriram foi que, quando a batida da canção começava, os primatas espontaneamente passavam a bater palmas no ritmo, marcar as batidas com o pé e se levantar e balançar o corpo. Os movimentos duravam entre alguns segundos e um minuto.

Os machos tendiam a dançar muito mais do que as fêmeas, de acordo com o estudo. Todas elas passaram menos de 10% do tempo se movimentando depois que a música começou, enquanto o macho mais animado dançou por quase 50% da canção. Uma hipótese para a disparidade observada é de que, na sociedade patriarcal em que chimpanzés vivem, machos usam mais o som para se comunicar do que as fêmeas, o que levou a reações mais consistentes.

Até agora, a dança era considerada ausente em primatas, com a exceção óbvia do ser humano. O mais próximo que outros símios haviam chegado era a dança da chuva feita por alguns tipos de chimpanzés.

Publicidade

De acordo com os cientistas, o artigo aponta pela primeira vez que a manifestação, digamos assim, artística pode ter origem anterior ao surgimento do ser humano, presente pelo menos no primata do qual todos os homens e os chimpanzés descenderam. Esse nosso ancestral teria vivido há cerca de 6 milhões de anos e, segundo o artigo, talvez soubesse dançar.

Fonte: Veja.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Clube dos Animais.