As empresas alimentícias devem parar de defender que o óleo de palma presente em seus produtos não destrói as florestas tropicais, dizem os cientistas. As promessas de “sem desmatamento” impressas nas embalagens não estão sendo fiéis à realidade, de acordo com um relatório de pesquisadores do Imperial College London. 

As plantações de palmeiras no leste da Ásia são culpadas por expor orangotangos, elefantes de Bornéu e tigres de Sumatra a uma crítica ameaça de extinção. O cultivo do produto é feito após o desflorestamento e queimada do habitat desses animais. A destruição também libera dióxido de carbono na atmosfera, reduz a biodiversidade e faz com que povos indígenas abandonem suas terras natais.

Orangotango resgatado de floresta desmatada para o plantio de óleo de palma

Orangotango é resgatado de floresta derrubada para o plantio de óleo de palma. (Foto: Reuters)

O óleo é utilizado na fabricação de metade de todos os produtos em supermercados – desde biscoitos, lanchonetes, cereais e margarinas até sabonetes e xampus.

Quase metade do óleo de palma importado para a União Europeia, principalmente vindo da Indonésia e da Malásia, é usado como biocombustível depois que a mistura em combustível de veículos foi tornada obrigatória em 2009.

Sob a pressão pública acerca dos danos causados ​​por sua produção, grandes empresas do ramo alimentício agora afirmam usar óleo de palma “sustentável” ou “sem desmatamento”, impresso em rótulos.

Mas um novo estudo disse que é “problemático” garantir que esses produtos sejam genuinamente livres de desmatamento.

Os maiores empecilhos para que essa medida seja eficiente é a falta de consenso sobre definições de desmatamento, incentivo impróprio do governo e mercados na China e na Índia que persistem na produção insustentável do óleo de palma.

Campanhas feitas por especialistas em meio ambiente e organizações não-governamentais provavelmente não serão eficazes na prevenção da destruição das florestas tropicais, adverte a pesquisa.

O principal autor do relatório, Joss Lyons-White, um cientista de conservação do Imperial College, que entrevistou 24 empresas e representantes ambientais para seu relatório, disse que os consumidores devem analisar a fundo compromissos das empresas em serem sustentáveis.

Ele também apontou a resistência de produtores locais: “Há um sentimento entre alguns produtores de que ‘desmatamento zero’ é uma imposição ocidental. Alguns disseram até que era uma estratégia de marketing.”

Regulamentações governamentais inconsistentes e confusão sobre a propriedade da terra também foram barreiras para a produção ética do óleo, disse Lyons-White.

O relatório disse que simplesmente proibir a produção de óleo de palma ou pressionar os países não é uma resposta. “O modelo que tem sido utilizado para lidar com o desmatamento causado pelo óleo de palma, baseado em campanhas de ONGs e adoção de compromissos por empresas individuais, é pouco capaz de contenha essa produção”, comentou o autor.

Em vez disso, novas formas devem ser encontradas para garantir que os compromissos sustentáveis sejam implementados com sucesso, concluiu.

Com base na quantidade de terra utilizada, as plantações de palmeiras são consideradas mais produtivas do que outros tipos de óleo, tornando-se cada vez mais populares nas indústrias de alimentos, produtos de higiene pessoal e combustíveis.

Lyons-White disse que a conscientização ambiental na Europa está criando uma enorme demanda por óleo de palma considerado sustentável e certificado pela Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (RSPO). Essa alternativa reduz o desmatamento em um terço e tem um “impacto positivo”.

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