O único banco de sangue animal de Jundiaí (SP) procura cães e gatos que possam se tornar doadores. Segundo a biomédica Martha Silveira e Costa, responsável pelo local, os estoques estão muito baixos. “A necessidade é grande, e os estoques estão sempre próximo a zero. Muita gente nem sabe que existe a possibilidade do animal doar sangue”, diz Martha.

A biomédica conta que, apesar dos animais, assim como os humanos, contarem com vários tipos de sangue, a tipagem ainda não é feita no Brasil, e, em caso de necessidade, a transfusão é feita após um teste de compatibilidade. “Nós usamos as hemácias do paciente e colocamos em um tubo de ensaio com o soro do doador, e vice-versa. Assim, observamos se há alguma reação. Diferente dos humanos, os animais não têm uma reação grave em relação a grupo sanguíneo”, explica.

Por isso, segundo ela, não importa o grupo sanguíneo – o importante é doar. “Quando vemos um cachorro de grande porte, que é o nosso ‘alvo’, tentamos conversar com o dono. Muitos acham legal e imediatamente concordam. Outros ficam com pena, acham que vai machucar o animal. E outros só tomam consciência da importância quando sabem de algum caso em que o animal precisa”, conta Martha.

A cerimonialista Tatiana Cardoso tem seis gatos – entre eles, o Apolo (foto acima) – e todos doam sangue a cada quatro meses. Segundo ela, além de fazer uma boa ação, o animal tem acompanhamento médico periódico. “É muito legal ter a oportunidade de ajudar outros bichos e de ter um acompanhamento tão presente. Toda vez que eles são levados para o banco de sangue, eles fazem hemograma completo. Ninguém faz exames nos animais a cada quatro meses, e, com a doação, a gente está sempre acompanhando a saúde deles”, explica Tatiana.

Foi assim, inclusive, que ela descobriu que dois de seus labradores tinham uma doença no coração. “Infelizmente, eles não podem doar. Mas, se eu não tivesse tentado, nem saberia que eles têm essa doença”, diz a cerimonialista.

Já os dois labradores e a golden retriever do advogado Lúcio Fornari são doadores assíduos. O macho Bronsk, de cinco anos, doa sangue há mais de dois. “Minha filha é veterinária e sempre frisou a importância da doação de sangue, porque o banco de sangue animal recebe ainda menos doações que o humano. É um trabalho muito legal”, diz Lúcio.

Segundo ele, os animais não sofrem e voltam felizes para casa. “Se eu soubesse que não são bem tratados, jamais levaria, porque meus cachorros são meus filhos. Mas o pessoal é muito carinhoso e cuidadoso com eles, e a doação é rápida. São dez minutos, e o procedimento é tranquilo, indolor”, incentiva o advogado.

Os gatos de Tatiana e os cães de Lúcio fazem parte de uma pequena lista de doadores periódicos que o banco conseguiu reunir. Para se tornar doador, o cão deve ter entre um e oito anos de idade e pesar mais de 25 Kg. Já os gatos devem pesar mais de 4 Kg, enquanto a faixa etária é a mesma dos cães. Ambos devem estar com as vacinas em dia, vermifugados e ser dóceis.

Transfusão ‘exótica’
Perguntada se já houve transfusão de sangue no local em algum animal exótico, Martha conta que já atendeu um ferret, também conhecido como “furão”. Segundo a biomédica, o animal precisou fazer uma cirurgia e teve que receber sangue.

“Nesse caso, não temos um banco. O próprio dono tinha outro ferret, do qual foi tirado sangue para a transfusão”, explica ela. Ou seja, em casos de animais exóticos, é preciso contar com um pouco de sorte.

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