Gostar mais de brincar com uma jiboia do que com um cão ou gato? Pois Kyra Rabello, de dois anos, apesar de ter cachorros em casa, prefere os répteis.

Filha de veterinários especializados em animais silvestres (selvagens), Kyra convive em casa com duas cobras jiboias, um casal de ferrets (mamíferos da família dos furões), um ring neck (pássaro) e ramsters (pequenos roedores).

Animais silvestres são diferentes dos domésticos, como cães e gatos. Estão acostumados a viver na natureza e, para tê-los em casa, é preciso de uma autorização –todos os bichos de Kyra têm certificado do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente).

Maria Isabel Nogueira, 10, já tinha em casa uma pyrrhura (espécie de periquito), o Spyder, quando uma de suas irmãs resgatou um canário-da-terra perdido na garagem do prédio. Os dois pássaros têm um anelzinho de autorização do Ibama.

Esse não é o caso do agapornis Flecha. Pássaro da família dos psitacídeos, ele é dócil. Fica solto no apartamento e pousa no dedo e nos ombros das pessoas. “Ele é bem feliz aqui”, diz seu dono, de 13 anos.

O menino ganhou o animal de presente de um parente e não sabe informar se ele foi certificado.

Não é bom ter em casa animais silvestres sem a devida orientação. Os bichos podem ficar doentes, diz o veterinário Rodrigo Ferreira, da clínica Exoticare, de São Paulo.

Ele nota que muita gente tem trocado cães e gatos por esses bichos, sem saber tratá-los corretamente.

Marcelo Pavlenco Rocha, da SOS Fauna (entidade de proteção a animais silvestres) não recomenda a compra desses animais, mesmo que sejam legalizados. “Por que condená-los a viver presos e distantes de outros da sua espécie?”, questiona.

Fonte: Folha de S. Paulo
Foto: Pedro Ladeira