Dezenas de voluntários têm percorrido diariamente vários quilômetros pela serra de Monchique, em Portugal, para cuidar dos animais atingidos por um incêndio, prestando-lhes a assistência médica necessária.

Foi montado um hospital de campanha numa escola local e no terreno os voluntários de várias associações abrigam os animais e oferecem cuidados veterinários gratuitamente.

Em consequência do incêndio florestal, os voluntários têm resgatado um número não contabilizado de animais, a maioria com queimaduras e intoxicações causadas pela fumaça, disse à equipe de reportagem da Lusa a veterinária da Prefeitura, Ana Silva.

Cão com queimaduras causadas pelo fogo (Foto: Reprodução / Facebook / Pata Ativa Associação)

“O resgate dos animais feridos que estão no terreno tem sido um trabalho difícil e que só tem sido possível devido à voluntariedade de dezenas de pessoas”, indicou a médica enquanto iniciava o tratamento de dois gatos resgatados com queimaduras.

Segundo Ana Sousa, como a queimadura é um ferimento “extremamente doloroso, a primeira intervenção é a aplicação de um analgésico para minimizar a dor, sendo em alguns casos necessária a sedação para evitar o sofrimento do animal”.

“Embora muitas pessoas tragam os animais consigo, há muitos que ficam para trás e à mercê de si próprios, e são esses que vamos tentando saber o local onde se encontram e resgatá-los”, frisou.

Ana Silva acrescentou que a tarefa nem sempre é fácil. “Primeiro colocamos água para ganhar a sua confiança e podermos tratá-los, e acompanhar até serem devolvidos aos tutores”, explicou. “Embora existam casos fatais, há muitas alegrias como estas”, disse Ana Silva enquanto acariciava o animal ao seu colo, acrescentando que ele “precisa de carinho, de ânimo e de força para poder continuar”.

Segundo a veterinária, o resgate dos animais é sempre acrescido de muitos desafios, como o afastamento de troncos de árvores e pedras de estradas e caminhos, mas “as dificuldades não são impedimento da boa vontade dos muitos voluntários que colaboram no resgate e assistência animal”.

As ações contam com a presença de voluntários da Associação Nacional dos Alistados das Formações Sanitárias (ANAFES). Coordenados pelo médico Nuno Paixão, a associação não tem limites na sua atuação, prestando assistência e acompanhamento médico-veterinário a todos os animais.

Segundo Nuno Paixão, os animais feridos pelo incêndio de Monchique “são, felizmente, em menor número do que na última experiência em Oliveira do Hospital, devido ao tipo de fogo e de relevo do terreno”. As informações são do portal Observador.

“Estamos espalhados por várias aldeias da serra e a medida que vamos avançando é que encontramos casos, número esse que vai aumentando, sendo neste momento difícil de falar numa quantificação”, disse à Lusa Nuno Paixão.

O clínico disse ainda que a associação ANAFES presta “assistência imediata aos animais, como água, alimento e tratamento, e tenta manter o acompanhamento, que pode durar semanas ou meses”.

A ANAFES é composta “apenas por voluntários com formação de pronto-socorro destinado a humanos, atuando com consonância com a Proteção Civil, dispondo de material de apoio e assistência ao tratamento animal, na grande maioria doado pela sociedade civil”.

Fonte: Observador

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