São Paulo – Agnes Cristina e Diogo Petri estavam há pouco mais de três anos em uma situação conhecida de muitos brasileiros: recém demitida, Agnes se uniu ao parceiro para encontrar uma nova fonte de renda em um negócio próprio, mas não tinha dinheiro para começá-lo.

Uma aposta ousada – tomar um empréstimo bancário com altas taxas de juros – acabou rendendo frutos. O produto patenteado do casal, um bebedouro específico para gatos, projetou a loja CatMyPet. Com canais de varejo e atacado, a marca faturou praticamente 2 milhões de reais neste ano. Agora, prepara sua expansão internacional, tendo os Estados Unidos como destino.

De empréstimo a negócio

A CatMyPet surgiu em 2015, após a publicitária Agnes Cristina ter sido demitida do setor de marketing da multinacional onde trabalhava por conta da terceirização de sua área. Ela já tinha o desejo de empreender e fazia trabalhos voluntários em uma ONG de cuidados com animais junto com o parceiro, o tecnólogo em segurança do trabalho Diogo Petri.

“Fomos analisar esse mercado e vimos que havia uma oportunidade no nicho de gatos. A maioria dos negócios de pets foca em produtos para cães”, afirma Cristina. Isso porque, hoje, os cachorros dominam os lares brasileiros. No país, 44,3% dos 65 milhões de domicílios possuem pelo menos um cachorro, contra 17,7% de ao menos um gato, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, há no total 52,2 milhões de cães e 22,1 milhões de gatos.

Para a empreendedora, o número pode se inverter nos próximos anos, especialmente nas metrópoles brasileiras. “A taxa de gatos adotados é duas vezes maior do que a de cachorros. Até 2024, devemos ter 71 milhões de gatos no país”, afirma Cristina. Os números do setor em geral também animam: em 2017, o mercado pet fechou com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação a 2016, mesmo com reflexos da crise econômica brasileira.

Com o mercado analisado e tempo sobrando para empreender, restava um problema: capital para começar. “Muita gente acha que é preciso ter muito dinheiro para empreender, mas a gente estava bem falido. Minha rescisão foi para aluguel, essas coisas”, conta a empreendedora. O casal pegou um empréstimo bancário de 16 mil reais, a uma assustadora taxa de 5% ao mês.

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O dinheiro serviu para colocar no mercado (e nos órgãos de patente) sua ideia de negócio: um bebedouro específico para gatos. Cristina perdeu um de seus gatos para uma doença renal e descobriu que isso era comum entre os pets – e se dava pela falta de estímulo para tomar água frequentemente. Por isso, a torneira MagiCat leva em conta fatos como a preferência dos gatos em beber água corrente, e não parada, e um motor que faz um ruído menos desagradável aos gatos do que o de bebedouros comuns.

O casal fez testes com seus próprios gatos e os da ONG em que eram voluntários. Em uma feira beneficente, levaram um pequeno estoque e venderam tudo em 15 minutos. Saíram com 15 pedidos na mão – e o plano de criar uma loja online, chamada CatMyPet.

Com dois meses de e-commerce, a CatMyPet atingiu o break even operacional e começou a pagar o empréstimo. Em dois anos, a quantia foi totalmente devolvida ao banco. Nesse meio tempo, Petri também saiu de seu emprego em uma multinacional para se dedicar inteiramente ao negócio.

A loja online adicionou outros produtos, como itens de higiene e erva de gato, e hoje possui 15 itens no portfólio. Mesmo assim, o preço da MagiCat ainda é atrativo para seus criadores. O ticket médio da torneira patenteada fica em torno de 260 reais, contra a média de 200 reais das compras em geral no e-commerce, e compõe boa parte do faturamento da CatMyPet.

Divulgação e expansão

Além do e-commerce, a CatMyPet hoje disponibiliza seus produtos ativamente em 500 pet shoes ou clínicas veterinárias, como a rede Cobasi. Nos clientes de atacado, o volume de pedidos faz o ticket médio subir para 800 reais. Essa frente já representa 75% do faturamento do negócio e, para evitar canibalismos, a empreendedora afirma que os produtos vendidos no e-commerce são vendidos por um preço maior ou igual aos vistos nos pet shops e clínicas, equiparando-se com a margem necessária ao atacadista.

Em 2017, a CatMyPet participou do reality show Shark Tank Brasil, no qual investidores-anjo analisam uma startup e fazem propostas de investimento. Não chegaram a um aporte, mas a divulgação abriu portas. Em um evento do setor, conheceram Kevin Harrington, investidor que participou da versão americana do Shark Tank.

A conversa gerou um contrato de vendas licenciadas de 30 milhões de dólares em produtos CatMyPet, dos quais os empreendedores receberão uma porcentagem.

Desde sua criação, a CatMyPet faturou 5 milhões de reais. Apenas neste ano, foram 1,9 milhões de reais. A expectativa para 2019 são agressivos 6 milhões de reais de faturamento, que deverão vir tanto da frente de exportação para os Estados Unidos quanto pelo fechamento de novas parcerias grandes, como a rede Petz, e pelo lançamento de 12 novos produtos.

O aumento nos números é acompanhado de uma expansão de membros dentro da própria casa. Hoje, o casal convive com seis gatos de estimação. Todos, claro, usam o bebedouro que originou a CatMyPet.

Fonte: Exame.

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