A Associação Nacional para Pesquisa Biomédica dos Estados Unidos (NABR) apresentou queixa contra quatro empresas aéreas em agosto, alegando que as empresas “discriminam ilegalmente” clientes que transportam animais para fins de pesquisa em laboratório, enquanto permitem o transporte de animais domésticos e de zoológico.

Um macaco enjaulado.

Empresas aéreas se juntam à luta contra testes em animais. Foto: Getty Images

A United, British Airways, China Southern Airlines e Qatar Airways estão lutando para impedir o transporte de animais de laboratório, pedindo ao Departamento de Transporte dos EUA que se oponha a um pedido de uma organização de defesa de pesquisas biomédicas para obrigar as companhias aéreas a transportarem macacos e outros animais para instalações de pesquisa ao redor do mundo.

Em 2005, a British Airways decidiu deixar de transportar animais com destino à experimentação científica, afirmando que transportar animais vivos era muito “complicado”, apesar da reação política e comercial.

A United Airlines parou de transportar animais de pesquisa em 2013, citando a influência de grupos de defesa dos direitos animais e a preocupação com a segurança dos passageiros como principais razões para isso.

No ano seguinte, a China Southern Airlines prometeu não mais levar animais de laboratório após campanhas da PETA e pedidos da celebridade vegana Pamela Anderson. A PETA também estava por trás da decisão da Qatar Airway de implementar uma proibição.

Jeremy Beckham, pesquisador da PETA, discursou sobre o último conflito, apoiando a atitude das companhias aéreas. “As companhias aéreas, compreensivelmente, não querem ser associadas à experimentação animal, uma prática que é sinônimo de crueldade com animais.”

De acordo com a revista Science Mag, Matthew Bailey, presidente da NABR, discorda, alegando que a proibição “retardará o progresso da pesquisa biomédica essencial para salvar vidas. Também viola várias disposições da lei federal”.

A NABR pediu ao Departamento de Transporte para obrigar às empresas a retomarem o transporte de animais de laboratório e para impôr penalidades contra qualquer companhia aérea comercial que se recuse a desafiar sua ordem.

As companhias aéreas consideram esse pedido como “absurdo” e “equivocado”, e defendem seu direito assegurado por lei de determinar que tipo de carga transportarão. “Nenhuma das alegações tem qualquer mérito legal”, escreveu a British Airways.

A queixa do NABR observou que mais de 1.700 subsídios dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA exigem teste em macacos, mas essa política parece impopular. Mais de 20 mil comentários foram feitos por membros do público sobre a queixa, favorecendo principalmente a decisão das empresas aéreas.

A vice-presidente sênior da PETA, Kathy Guillermo, diz que a queixa da NABR é “um ato de desespero” e que provavelmente não afetará a política das companhias aéreas. A United notou em sua resposta que a NABR apresentou uma queixa semelhante ao Departamento de Transporte no ano passado, sem obter nenhuma ação.

A revista Science Mag observa que quase toda grande companhia aérea, exceto pela Air France, agora tem uma política contra o transporte de animais para pesquisa em laboratório. Mais recentemente, em julho, a transportadora russa AirBridgeCargo também parou de transportar macacos depois que a PETA encorajou 200 mil pessoas a enviar um e-mail à empresa.

Nos Estados Unidos, os macacos são transportados pelas estradas porque as companhias aéreas se recusam a transportá-los. Pesquisadores das Ilhas Canárias, na Espanha, não tiveram escolha a não ser usar os aviões militares para o transporte de ratos. E os laboratórios da Maurícia convidaram os cientistas a estudar a população de macacos no país, para evitar problemas com o transporte.

Leia mais em: https://www.anda.jor.br/2018/12/empresas-aereas-se-posicionam-contra-o-transporte-de-animais-explorados-em-testes/.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Clube dos Animais.