Os dez filhotes de labrador que fazem parte do projeto Cão Guia de Cegos do Distrito Federal começaram a ser entregues às famílias hospedeiras nesta terça-feira (17). Os voluntários ficam com os animais por um período de 8 a 10 meses. São dez labradores recém-nascidos. O intuito é que ajudar na socialização do bicho, ajudando-o a ter contato com o mundo e com o maior número possível de cheiros, sons e ambientes.

A família fica responsável por educar o animal durante o período. Depois, o filhote recebe treinamento no Corpo de Bombeiros. Se o cão for aprovado, será destinado a ajudar deficientes visuais.

“Nós temos cuidado de fazer a distribuição dos animais de acordo com o perfil de cada familia, observando a situação familiar, a disposição pra fazer a socialização do dia a dia. Tudo isso é observado e daí fazemos a seleção de cada um” afirma o coordenador do projeto, o bombeiro Carlos Dias.

“Na minha familia existe cosanguinidade e vários tios meus foram cegos e surdos. E nunca tiveram a oportunidade de ter um cão guia. Então eu estou vestindo isso com muito amor mesmo, para poder servir a alguém, um meio de servir assim como pede às pessoas de bem”, diz o representante comercial Paulo Célio Amorim.

“É a primeira vez que eu pego um filhotinho e é indescritível. muito emocionante”, afirma a atriz e cantora Amanda Miranda, que vai ficar com um filhote.

“Eu sei que o trabalho não é facil, mas foi uma escolha e vou fazer da melhor forma possível”, diz a bancária Carmem Lúcia Malaquias, outra voluntária do projeto.

“Não é um cachorro pra ser mimado, mas também é um cachorro pra ser tratado com doçura. A família tem que estar ciente que este cachorro vai voltar pro projeto, não é deles”, afirma Lúcia Campos, que também coordena o projeto.

O estudante Lucas Araújo diz que prevê dificuldade na hora de entregar o cão, daqui a dez meses. “Eu sei que essa hora vai ser provavelmente uma das mais dificeis, né? Só que é por uma boa causa, então se der saudade a gente pensa em pegar outro, continuar o projeto, né? Porque é sempre tentando ajudar uma pessoa que está precisando mais do que a gente.”

O projeto atua desde 2001 e busca reintegrar deficientes visuais à sociedade com o auxílio de um cão-guia, com segurança, mobilidade, qualidade de vida e inclusão social. O programa conta com um Centro de Treinamento de Cães-Guia e já entregou 43 animais para deficientes de todo o Brasil.