Animais machucados, leitões gritando e porcas em celas tão apertadas em que sequer conseguem se mover. Essas cenas fazem parte de um vídeo gravado por investigadores da ONG Mercy For Animals (misericórdia para os animais, em inglês) dentro de um criadouro de porcos da Tosh Animals, em Tennessee, nos Estados Unidos.

A Tosh Animals é a maior produtora de carne suína do Tennessee – possui 30 mil porcas matrizes e produzem ao ano 725 mil porcos. Um dos clientes da Tosh Animals é a fabricante brasileira de alimentos JBS, de acordo com o site da companhia e de dados obtidos pela ONG. A JBS é a maior empresa de carnes do mundo e uma das maiores processadoras de carne dos Estados Unidos.

(Foto: Paulo Whitaker/Reuters/Reuters)

Em uma gravação, o caminhão que sai da Tosh Animals se dirige a um matadouro da JBS Swift, em Louisville, Kentucky, onde a carne será processada. É um dos três matadouros de carne suína que a JBS tem no país. Veja a investigação completa aqui.

A ONG afirma que os vídeos foram feitos entre janeiro e março deste ano, mas não dá detalhes sobre como os vídeos foram obtidos para preservar a segurança de seus integrantes. A organização existe desde 1999 e foi criada na Califórnia, nos Estados Unidos. No Brasil desde 2015, ela denunciou práticas abusivas na criação de animais em países como Canadá, México e Brasil.

Maus-tratos

Entre as práticas vistas no vídeo, estão o confinamento gestacional de porcas em gaiolas muito pequenas, em que elas não podem se virar ou movimentar. Apenas as fêmeas são mantidas dessa forma, já que os machos são criados para serem mortos após apenas alguns meses.

Essa forma de criação ainda é permitida no estado do Tennessee, onde fica a fábrica da Tosh Farms, mas 12 estados já adotaram legislações para acabar com a prática.

No Brasil, a JBS assinou em 2015 um termo para eliminar o confinamento até 2025.

Funcionários também são registrados chutando a batendo na cabeça dos animais, removendo os dentes e castrando leitões sem nenhum tipo de anestesia. Animais doentes e com feridas também são vistos. Em um caso, um funcionário pisa em um leitão para matá-lo.

“São violências absolutamente desnecessárias”, diz Lucas Alvarenga, vice-presidente da Mercy For Animals no Brasil.

Não há uma legislação que abranja todo o território dos Estados Unidos que condene essas práticas. “Mas, quando nós expomos essas práticas, levamos a sociedade e outras ONGs a pressionarem por mudanças legislativas e pelo comprometimento das empresas”, afirma ele.

De acordo com Alvarenga, a ONG já levou a denúncia a órgãos responsáveis e à JBS nos Estados Unidos, que teria se comprometido a responsabilizar os indivíduos que aparecem no vídeo.

A JBS afirmou que, depois de tomar conhecimento do vídeo, cancelou o contrato com esse fornecedor.

Veja o vídeo completo abaixo. Cuidado, as imagens são fortes.

Fonte: EXAME

Leia mais em: https://www.anda.jor.br/2018/07/fornecedor-da-jbs-nos-eua-e-denunciado-por-maus-tratos-de-porcos/.

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