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O futuro do fornecimento de alimentos está sob “ameaça severa” devido ao rápido desaparecimento do número de espécies de animais e plantas, disse o relatório na última sexta-feira (22).

As pessoas dependem de menos espécies para alimentação, disse a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), deixando os sistemas de produção suscetíveis a choques como pragas ou doenças, secas e outros eventos climáticos extremos devido à mudança climática.

Embora cerca de 6 mil espécies de plantas possam ser usadas como alimento, menos de 200 variedades são consumidas e apenas nove compõem a maior parte da produção agrícola mundial, disse a FAO no primeiro relatório do gênero para avaliar a biodiversidade nos sistemas alimentares.

“A perda de biodiversidade para alimentos e agricultura está minando seriamente a nossa capacidade de alimentar e nutrir uma população global em constante crescimento”, disse o chefe da FAO, José Graziano da Silva, em um comunicado.

“Precisamos usar a biodiversidade de maneira sustentável, para podermos responder melhor aos crescentes desafios das mudanças climáticas e produzir alimentos de uma maneira que não agrida nosso meio ambiente”, disse ele.

Ao analisar dados de 91 países, a FAO disse que havia “evidências crescentes” de que a biodiversidade do mundo estava sob “ameaça severa” devido à poluição, uso da água e do solo mal administrado, políticas ruins, excesso de colheita e mudança climática.

A mudança climática se tornará uma ameaça cada vez maior à biodiversidade até 2050, aumentando os danos causados ​​pela poluição e pelo desmatamento para dar lugar a plantações, de acordo com mais de 550 especialistas em relatórios aprovados por 129 governos em março do ano passado.

De insetos a ervas marinhas, crustáceos e fungos, quase um quarto das cerca de 4.000 espécies de alimentos silvestres estão em declínio, com as regiões mais afetadas sendo a América Latina, Ásia e África, segundo o relatório.

A produção global de alimentos deve se tornar mais diversificada e incluir espécies que não são muito consumidas, mas que podem estar melhor preparadas para suportar climas e doenças hostis.

“Composta pela nossa dependência de cada vez menos espécies para se alimentar, a crescente perda de biodiversidade para alimentos e agricultura coloca a segurança alimentar e a nutrição em risco”, acrescentou Graziano da Silva.

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A diversificação também poderia ajudar a combater a desnutrição em todo o mundo, trazendo alimentos pouco conhecidos, mas altamente nutritivos, para o mainstream, como o fonio, que é um grão pequeno que é adequado para climas quentes com padrões climáticos imprevisíveis.

A ONU disse que os países devem dobrar a produtividade e a renda dos produtores de alimentos em pequena escala até 2030 para eliminar a fome e garantir que todas as pessoas tenham acesso à comida.

Uma em cada nove pessoas já não tem comida suficiente e a população mundial deve chegar a 9,8 bilhões em 2050.

 

Autora:  Lin Taylor @linnytayls

Créditos:  Thomson Reuters Foundation

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