Há quatro dias, Rubinho foi proibido de circular pelos corredores da Galeria Cidade Copacabana, conhecida como galeria dos antiquários, na Rua Siqueira Campos, na Zona Sul da cidade. Batizado em homenagem ao piloto da Fórmula 1, o gato mora no centro comercial desde 2010, quando foi adotado por um lojista.

Reprodução

Apesar de sua base ser a loja Arte e Palha, onde tem água e comida, Rubinho circula há oito anos pelos corredores sem ser incomodado. Na verdade, circulava, até o início dessa semana, quando o conselho de administração da galeria comercial lançou mão do regimento do condomínio para proibir os passeios do bichano. A decisão gerou revolta de protetores de animais, ganhou as redes sociais e deu origem a uma força-tarefa para reverter a situação.

A proibição veio na forma de uma advertência de infração, entregue ao empresário Pedro Duarte Correia, de 83 anos, tutor de Rubinho. No documento, o lojista foi alertado sobre a proibição da circulação de animais nas áreas comuns “sem o acompanhamento devido do seu tutor”, sob pena de multa. Para evitar a infração, o empresário passou a manter o gato em uma caixa de papelão, dentro da loja.

Ao saberem da decisão, clientes se revoltaram e decidiram pressionar o conselho a voltar atrás. Para isso, foram criados dois abaixo-assinados: um físico, que já contava com quase 300 assinaturas no início desta tarde, e outro virtual, que registrava mais de 500 nomes no mesmo horário.

De acordo com velhos conhecidos do bichano, Rubinho nunca incomodou ninguém. A decisão teria sido motivada pela chegada de uma nova síndica, avessa a animais.

“Ouvi os seguranças comentando que ela tem medo de gato e disse que ia fazer de tudo para o Rubinho parar de circular pelos corredores. Só pode ter um dedo dela nisso”, diz Solange Dario, de 63 anos.

Frequentadora diária da galeria, Ana Silva, de 63 anos, pôs o nome nos dois abaixo-assinados.

“Esse gato é um amor. Há oito anos vive aqui e nunca causou problemas. Todos sabem que gatos não ficam confinados o tempo todo num mesmo ambiente. Agora querem que ele fique preso nessa caixa?”, diz Ana.

Proprietário de uma loja de artesanato na galeria há quatro décadas, Correia conta que encontrou Rubinho por acaso, quando houve uma obra no terceiro andar do edifício. Na época, ele fazia parte do conselho de administração e foi designado para acompanhar a reforma.

“Eu ia todo dia ver como estava a obra e o gato me seguia. Depois, ele começou a me esperar antes mesmo de eu chegar. Um dia, trouxe ele para minha loja e foi como se ele estivesse em casa”, conta o lojista, que decidiu adotar o bichano: “Todos gostam dele. Tem gente que vem na loja só para ver o Rubinho. Ele era considerado patrimônio da galeria. Agora, cismaram com ele.”

Reprodução

Filho do empresário, Sérgio Castanho Correia, de 61 anos, afirma que o gato sempre permaneceu a maior parte do tempo no interior da loja.

“Ele só saía quando alguém chamava ele lá fora ou então de noite, quando já não havia qualquer movimento na galeria. Ele se acostumou com os frequentadores da galeria e acho que os frequentadores também, porque ninguém nunca reclamou”, diz.

Antes considerado peralta e traquinas, Rubinho agora fica 24 horas por dia parado dentro da caixa de papelão. Na visão de clientes que conhecem o animal há anos, ele parece abatido e deprimido. Depois de ser informada sobre o abaixo-assinado, Edna Costa, de 57 anos, foi à loja só para preencher o abaixo-assinado.

“Se você não está em um ambiente alimentar, um restaurante, qual é o problema de o gato circular? É inacreditável que queiram proibir o animal de circular pelo simples prazer de fazer isso”, desabafa Edna.

Até a publicação desta reportagem, o presidente do conselho de síndicos não foi encontrado para comentar a situação.

Fonte: Extra

Leia mais em: https://www.anda.jor.br/2018/06/gato-que-vive-em-galeria-na-zona-sul-do-rio-e-proibido-de-circular-e-decisao-gera-revolta/.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Clube dos Animais.