Idealizadora da plataforma Veganistas, responsável por agenciar um time de influenciadores digitais veganos com o intuito de divulgar produtos e serviços veganos, a empresária Malga Di Paula, viúva do humorista Chico Anysio, tornou-se vegetariana e, depois, vegana graças a um despertar proporcionado por uma cadela tutelada por ela. Em entrevista exclusiva à ANDA, ela fala sobre a compaixão pelos animais que a levou ao veganismo e faz uma análise sobre a expansão da filosofia vegana.

(Foto: Reprodução / Site Malga Di Paula)

ANDA: Você é vegana há quanto tempo?

Malga Di Paula: Há 1 ano e meio. Vegetariana há 8 anos.

ANDA: O que te fez optar pelo veganismo?

Malga Di Paula: Foi quando eu tive conhecimento sobre o que acontecia na indústria do leite, de ovos, da lã, etc. Eu já era vegetariana há mais de 6 anos e estas informações nunca tinham chegado a mim. O soco na boca do meu estômago foi o documentário Cowspiracy.

ANDA: Você encontrou alguma dificuldade ao se tornar vegana?

Malga Di Paula: A princípio a questão dos queijos. Eu era uma devoradora de todos os tipos de queijos, talvez pela
minha origem italiana que a gente costuma comer parmesão com tudo, mas com o passar dos meses e das informações que eu fui tendo acesso, acabei ficando com nojo. Hoje não suporto nem o cheiro.

ANDA: Você sempre gostou de animais e sentiu compaixão por eles, ou isso foi despertado em você mais recentemente?

Malga Di Paula: Eu nasci na roça e tínhamos muitos animais para “nos servir”. Todavia, meus pais eram muito cuidadosos com todos eles e nunca admitiram nenhum tipo de crueldade. Era uma espécie de parceria, eles trabalhavam pra gente e a gente cuidava deles com muito carinho. Lembro que minha mãe dividia o leite entre nós e o bezerro, jamais afastou o bebê da mãe, apenas algumas horas antes da ordenha, pra “acumular” uma quantidade pra nossa família. Isso é certo? Não, hoje vejo que não, mas naquela época era normal, foi assim que eu cresci. Eu nunca vi meus pais baterem neles ou deixarem sem água ou comida, o que era uma prática comum entre alguns vizinhos nossos.

Cachorros viviam lá fora de casa, eram considerados sujos. Alguns gatos se atreviam a entrar, mas nunca tiveram permissão para subir em nossas camas. Quando me mudei para a cidade, eu achava estranho essa relação das pessoas com os cachorros e até achava meio nojento. Não sei o que aconteceu, certo dia do nada, eu tive vontade de ter um. O meu primeiro bichinho foi uma labrador branquinha. A Branca foi responsável por grandes mudanças na minha vida. Ela me ensinou grandes lições e foi com a ajuda dela que eu me tornei vegetariana. A Branca me ajudou a despertar o amor por outras espécies também. Ela foi pro céu há 2 anos e foi um pouco antes dela partir que eu comecei minha transição para o veganismo. Onde quer que ela esteja, acredito que deve estar feliz, porque se essa era a missão dela aqui neste planeta, ela foi brilhante. Eu continuo aqui aprendendo muito com a Nina, a irmãzinha dela, uma maltês que está com 12 anos.

ANDA: Você faz ativismo vegano e tem a plataforma Veganistas. O que é exatamente a veganistas?

Malga Di Paula: Eu faço ativismo nas minhas redes pessoais, na Veganistas eu faço negócio. Ela é uma plataforma que agencia um time de influenciadores digitais veganos. Nós oferecemos um ótimo canal para as marcas veganas divulgarem seus produtos e serviços diretamente para o consumidor final.

ANDA: Você acredita que o fato de você ser uma pessoa conhecida no país contribui para que as pessoas que sabem que você é vegana fiquem mais abertas à possibilidade de adotar o veganismo?

Malga Di Paula: A maioria dos meus seguidores não são veganos ou vegetarianos e a cada dia que passa, recebo
mais e mais mensagens de pessoas dizendo que estão parando de consumir carne ou que começaram a transição para o Veganismo influenciadas por mim. Isso é maravilhoso e tem dado mais sentido à minha vida. O fato de eu ser um pouco conhecida faz com que eu atraia mais pessoas para as minhas redes sociais. Depois que elas começam a me seguir, aí eu faço o meu trabalho pra tentar despertar nelas esta consciência.

ANDA: Na sua avaliação, o veganismo tem se expandido? As pessoas estão mais abertas a adotá-lo?

Malga Di Paula: Sem a menor dúvida. Desde que eu comecei a minha transição e pensei em criar a plataforma Veganistas, tenho observado tudo o que tem acontecido e percebi uma “explosão” nestes dois últimos anos. O que acontece é que todos querem um mundo melhor e quando as pessoas se dão conta do poder de transformação que elas têm apenas mudando sua dieta, elas começam a pensar seriamente nisso. Nós, como ativistas, temos que tocar as pessoas levando informações sobre o que acontece na indústria, para que todos associem “a carninha” dos seus pratos com um ser vivo que pensa, que sente, que ama e que quer viver.

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