Estigmas sociais não apenas podem como têm influenciado os homens ao fazerem os seus pedidos em restaurantes. Uma pesquisa recentemente conduzida pela Universidade de Southampton – chamado Man Food – descobriu que até mesmo homens que não gostam de carne ou devem evitá-la por motivos de saúde, evitam pedidos com opções veganas por medo de serem ridicularizados.

Reprodução | Plant Based News

O resultado, de certa maneira, já era de conhecimento das pessoas. Dados de 2016 da organização pelos direitos animais The Vegan Society mostram que as mulheres veganas são mais numerosas do que os homens (entre 63% e 37%) e esses novos dados seriam apenas uma indicação do motivo.

A pesquisa descobriu que os homens experimentam “isolamento social” entre seus pares quando admitem reduzir ou cortar carne – seja qual for o motivo. “Descobrimos que mesmo os homens que não gostam de carne, os homens que acham que atrapalham a digestão, ou que foram solicitados pelo médico a comer menos carne, ainda acham difícil escolher a opção vegetariana em público em torno de outros homens”, disse Emma Roe – Professora Associada em Geografia Humana na Universidade de Southampton e Pesquisadora Líder – em entrevista ao portal Plant Based News.

Este é mesmo o caso para os homens que querem reduzir sua ingestão de carne em uma tentativa de ajudar o planeta, de acordo com a pesquisadora. “Nós organizamos um grupo de discussão com oito homens que identificaram como ‘homens verdes’ e descobrimos que até mesmo esses homens ainda querem comer carne, particularmente em torno de seus amigos do sexo masculino”, acrescentou.

Mas de acordo com Roe a mudança é possível. À medida em que comidas veganas e vegetarianas se tornam mais “normais” ou popularizadas, os homens sentem que podem comer sem preocupações com os olhares ao redor. Eles têm se sentido cada vez menos julgados pelas outras pessoas.

“O que descobrimos é que muitos homens estão interessados ​​em comer menos carne, eles só precisam de permissão social para fazê-lo – e quanto mais e os homens fizerem escolhas veganas, essa permissão está se tornando mais prontamente disponível”, ela observa.

De fato, Roe diz que mais de 25% dos homens estão reduzindo ativamente sua ingestão de carne. Isso fica mais claro em uma pesquisa recente que mostra que 28% dos britânicos se identificam como flexitarianos – ou seja, não cortam os produtos de origem animal completamente, mas evitam comê-los na maior parte do tempo.

“Alguns homens nos disseram que experimentaram isolamento social entre grupos de homens depois de reduzir seu consumo de proteína animal, e descobrimos que eles valorizavam a socialização juntos como homens e comer comida vegetariana e vegana como uma forma de ‘normalizar’ a escolha deles”, ela finaliza.

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