A Polícia Civil investiga uma clínica veterinária de Goiânia após proprietários de animais de estimação denunciarem o estabelecimento por irregularidades no atendimento aos bichos. As denúncias envolvem casos de desaparecimento, morte e realização de procedimentos cirúrgicos desnecessários nos animais.

“Um grupo de cerca de dez pessoas nos procurou e informou que esse veterinário estaria fazendo procedimentos impróprios como receber dinheiro para castrar os cães e só abrir e fechar o animal sem fazer o procedimento, não ter cuidado com os animais na clínica, cachorros que sumiram no local e desconformidades com as normas da vigilância sanitária”, afirma o delegado que recebeu a denúncia na terça-feira (17), Eduardo Prado.

Segundo o delegado, o caso foi encaminhado à Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Deam).“Acreditamos que possa ter havido maus tratos, talvez até o multilar, crimes também como estelionato, apropriação indébita. A partir de agora vamos ouvir todos os proprietários desses animais, tudo indica que são condutas diferenciadas para cada caso”, afirma o delegado da titular da Deam, Luziano de Carvalho.

O G1 tentou contato com a clínica veterinária Center Vet, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

Desaparecimento
Um dos casos mais recentes foi denunciado pela comerciante Regineia Vieira Santos, 40 anos. Ela conta que, no último dia 9 deste mês, deixou a cadela Meg, da raça pinscher, na clínica, localizada no Setor Leste Universitário, após o veterinário responsável afirmar que o animal tinha que passar por um procedimento cirúrgico com urgência.

“Na hora marcada para buscá-la, o veterinário falou que o corte foi maior que o previsto e seria melhor buscar no dia seguinte. No outro dia, liguei e ele disse que não estava na clínica. Por volta de meio-dia, ele chegou na minha casa dizendo que a clínica tinha sido assaltada e a Meg tinha sumido”, conta Regineia.

Entretanto, analisando imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos próximos à clínica, a comerciante constatou que não houve assalto ao local. A partir de então, ao procurar o veterinário, ele permanecia em silêncio, sem dar qualquer explicação sobre o paradeiro de Meg.

“Ele é muito bom com palavras para mentir, mas, quando não tinha mais o que mentir, ele já não falava mais nada”, afirma.

Regineia divulgou o desaparecimento da cadela nas redes sociais, quando começou a receber mensagens de outros proprietários de animais que se diziam vítimas da mesma clínica. “As pessoas falavam que tinha acontecido o mesmo com elas, ou casos em que o cachorro até morreu”, conta.

Após mais de uma semana de angústia pelo sumiço de Meg, Regineia recuperou a cadela na noite de terça-feira (17). Segundo ela, o animal foi encontrada por um segurança de uma universidade no Setor Universitário, que a deixou aos cuidados de uma mulher.

Após tomar ciência de que Regineia procurava pela cadela, a mulher entrou em contato e entregou Meg à dona. Entretanto, até o momento, não foi esclarecido como a cachorrinha saiu da clínica veterinária.

Outras vítimas
A designer de interiores Krishna Borges teve problemas com dois animais que levou para tratamento no local. Segundo ela, sua pitbull deveria ter passado por uma castração, mas após o procedimento o estado de saúde da cadela se agravou.

Krishna conta que ao levar o animal a outra clínica, descobriu que, apesar do corte, o procedimento não havia sido realizado. “Ele fez uma coisa tão mal acabada, tão desconhecida lá que infeccionou tudo, grudou uma coisa na outra. Eu acho que ele agiu de má fé”, diz.

A cadela da funcionária pública Maria de Fátima Souza de Faria foi atendida na mesma clínica, no início do mês, e acabou morrendo. “Ele jogou o corpo dela, pôs no saco e jogou no lixo”, acredita.

Investigação
O grupo também levou as denuncias até o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). Eles alegam que foram feitas dez denúncias contra o veterinário responsável pela clínica.

A reportagem entrou em contato com o CRMV, mas o órgão não quis informar o número de denúncias recebidas contra o profissional e nem se já foi constatada alguma irregularidade contra o homem.

O conselho alega que os processos éticos são sigilosos e que todas as denúncias registradas com o “mínimo de comprovação” são averiguadas. Além disso, informou que a tramitação dura em média seis meses e que, se julgada a conduta antiética, o acusado recebe punições que variam desde uma advertência até a cassação do registro profissional.

Fonte:G1