São Paulo – Você sofre de tripofobia? Estima-se que 15% da população mundial sinta aversão ou agonia ao olhar para vários buracos agrupados ou padrões irregulares, como a imagem de uma colmeia, uma semente de lótus ou até uma barra de chocolate aerado. Os cientistas buscam desvendar o que está por trás desse fenômeno e, ao que tudo indica, a tripofobia está ligada a fatores evolutivos e ao instinto de sobrevivência.

Testes de laboratório que exibiram imagens sensíveis às pessoas tripofóbicas causaram aumento da frequência cardíaca e da atividade na parte do cérebro que processa a visão, de acordo com o site Business Insider. Um estudo de 2013 publicado no periódico Psychological Science afirmou: “pode haver uma parte evolutiva antiga do cérebro dizendo às pessoas que elas estão olhando para um animal venenoso”.

Segundo os pesquisadores, há uma semelhança entre a “composição espectral” das imagens que causam aflição e nas cores e texturas de animais perigosos, como o polvo-de-anéis-azuis, exemplar extremamente venenoso da espécie que habita a costa australiana.

Polvo-de-anéis-azuis

Polvo-de-anéis-azuis (Rickard Zerpe/Flickr)

Assunto é polêmico e demanda mais pesquisas

Um estudo mais recente, publicado em 2017, questiona a teoria. Em um primeiro momento, as crianças avaliadas pelos pesquisadores foram expostas a imagens associadas à tripofobia e a imagens de animais venenosos com os temidos padrões na pele.

Depois, as fotos dos animais foram manipuladas para retirar as características visuais que causariam aversão, e a associação entre os estímulos tripofóbicos desapareceu. “Assim, o desconforto sentido em relação às imagens tripofóbicas pode ser uma resposta instintiva às suas características visuais, e não o resultado de uma associação aprendida, mas inconsciente, com animais peçonhentos”, afirma o resumo do estudo.

Como bem aponta o BuzzFeed, o estudo indica, ainda, que a tripofobia possa estar ligada à associação dos nossos antepassados com a aparência de pessoas doentes por verminose, parasitose ou outras infecções que afetassem a pele.

Embora tenha “fobia” no nome, o medo de buracos não é considerado oficialmente como tal. O Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais (DSM) não reconhece a tripofobia porque, segundo o site americano Gizmodo, ainda faltam estudos suficientes sobre o tema. No início deste ano, um terceiro estudo identificou que as pessoas que se deparam com as imagens perturbadores apresentam reações muito mais próximas ao nojo do que ao medo.

Sendo um traço evolutivo relacionado a animais venenosos ou doenças de pele, é inegável que buracos agrupados não são nada agradáveis para algumas pessoas, e evitar olhar muito tempo para eles ainda é a única saída para fugir da agonia que podem causar.

Imagem: Rickard Zerpe (Flickr).

Fonte: Exame.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Clube dos Animais.