Toda manhã, minha gata bate a pata no espelhinho da cômoda até eu virá-lo para refletir um raio de sol e ela possa iniciar sua perseguição. A internet está repleta de vídeos de cães e gatos que enlouquecem com feixes de laser. Por que nossos bichos são tão obcecados pela luz?

Especialistas em comportamento animal acreditam que o movimento pontual e aleatório desperta os instintos predatórios dos animais, impelindo-os a uma busca infrutífera. Embora pareça óbvio que existam grandes diferenças entre um ponto de laser e um rato, os humanos não deviam se sentir tão superiores. Afinal, o macaco mais avançado do planeta também se deixa enganar pelo mesmo truque.

Em um experimento, psicólogos instruíram os participantes a observarem o movimento dos pontos de luz em uma tela e relatar quando um deles desaparecia. A maioria dos pontos  se movia quicando pela tela, como no antigo videogame Pong. Mas outros moviam-se aleatoriamente, como se estivessem vivos, e os observadores perceberam que os pontos “animados” desapareciam mais rápido que os demais.

Quando penso na quantidade de tempo que muitas pessoas desperdiçam olhando fixamente para pontos móveis de luz, como os pixels da tela de uma TV, esses resultados não me surpreendem.

No entanto, a perseguição frustrante a pontos de luz pode ser psicologicamente prejudicial para os animais domésticos.

“Eles podem ficar tão excitados com a perseguição de uma presa falsa que não conseguem mais parar de perseguir a luz, o que gera um problema comportamental”, explicou Nicholas Dodman, professor de comportamento animal da Universidade de Tufts, Massachusetts, ao Live Science. “Já vi perseguições patológicas em que o animal perseguia sem parar um raio de luz ou uma sombra, tentando pegá-los com a pata. Eles podem passar a vida toda desejando e esperando conseguir”.

Passar uma vida toda desejando e esperando, olhando fixamente para pontos de luz… mais uma vez, me pego pensando na televisão. Pesquisas sobre viciados em televisão sugerem que as luzes dançantes podem obcecar tanto humanos como bichanos.