Os pinguins perderam a capacidade de voar há milhões de anos. Agora, um novo estudo explica o motivo: as aves se tornaram verdadeiras máquinas de mergulho, trocando o voo pelas habilidades desenvolvidas dentro d´água.

O estudo, publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere algumas hipóteses para essa alteração evolutiva.

“Quando os pinguins pararam de voar, as mudanças na estrutura das asas e no tamanho e formato do corpo provavelmente ocorreram em pouco tempo, já que o voo já não impunha restrições à sua forma corporal”, explica o co-autor do estudo, Robert Ricklefs.

“Como pinguins são muito mais expostos aos predadores na água que em terra firme, houve uma intensa seleção natural, que favoreceu sua eficiência tanto na natação como no mergulho”, acrescenta o pesquisador, que é professor de biologia da Universidade do Missouri em St. Louis.

Inicialmente, Ricklefs e a equipe de pesquisadores liderada pelo dr. Kyle Elliott questionram por que estas aves perderam a capacidade de voar há milhões de anos, apesar de suas vantagens óbvias. Os pinguins-imperadores deixam as colônias e caminham penosamente por mais de 50 quilômetros para chegar ao mar. A viagem consome vários dias, e poderia ser reduzida a algumas horas se eles pudessem voar. Então, por que não o fazem?

Para solucionar o mistério, os pesquisadores se concentraram em aves que voam e mergulham, principalmente os Araus. Os cientistas equiparam 41 dessas aves selvagens com dispositivos para medir a energia consumida durante o voo – e constataram um novo recorde mundial. Os araus e os cormorões oceânicos registraram o mais alto consumo de energia entre todos os animais voadores.

“Os gastos energéticos eram mais acentuados quando alçavam voo”, explica Ricklefs, acrescentando que superar a resistência do ar também representava um esforço significativo para as aves.

Fonte: Animal Planet