Os servidores públicos da Prefeitura de Cajamar, no estado de São Paulo, foram proibidos de alimentar e acolher animais abandonados no Paço Municipal por uma determinação do Diretor Municipal de Administração da Prefeitura, Márcio Aparecido dos Santos.

Um documento que expõe a proibição foi distribuído em todos os departamentos, divisões e setores que compõe a administração municipal e gerou inúmeras críticas. Além de agir com crueldade contra os animais, adotando uma postura que fará com que os animais sofram com fome e sede, a determinação ainda estabelece uma punição desproporcional a quem infringir a norma e alimentar cachorros e gatos em situação de rua: a exoneração do servidor, que será apenado conforme determinações da Lei Complementar 064/2005.

Nina é cuidada pelos funcionários da Alesp (Foto: Fábio Tito / G1)

Na notificação, que pode ser conferida em imagem abaixo, Santos afirma que a decisão de proibir que os animais sejam alimentados se deve ao fato de ter existido problemas em relação à manutenção da limpeza do Paço Municipal e também devido à possibilidade de animais morderem as pessoas que frequentam a Prefeitura. As informações são do Diário Cajamarense.

As questões apresentadas como justificativa para a proibição, no entanto, poderiam ter sido facilmente resolvidas de forma ética através de políticas públicas que visem o resgate de animais abandonados, o encaminhamento deles para abrigos seguros e em boas condições, além da castração, vacinação, vermifugação e microchipagem dos animais.

Para o morador de Cajamar Cláudio Dall, a atitude da Prefeitura é reprovável. “Outras Prefeituras tratam de acolher diversos cachorros e outros animais, mas em Cajamar proíbe até que funcionários os alimentem”, criticou. A medida também foi condenada pela protetora de animais Léia Moreira.  “Avise a senhora prefeita Dalete e o seu comissionado Márcio Aparecido dos Santos que os cães que moram no Pátio da Prefeitura de Cajamar estão lá mais tempo do que eles. Antes de proibir de alimentar os cães faça um projeto de lei onde estes sejam encaminhados para um lugar que fiquem bem e seguro”, escreveu Léia nas redes sociais.

Até o momento, a administração municipal não comentou o caso.

Servidores públicos são proibidos de alimentar e acolher animais no Paço Municipal de Cajamar (SP) (Foto: Divulgação)

Alesp dá exemplo ético

Ao contrário do que está acontecendo em Cajamar, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) a situação é outra. No local vive Nina, uma cadela que há dois anos ganha a atenção dos funcionários, além de ter uma cama, coleira e potes de água e comida que estão sempre cheios. A cadela é a terceira a receber abrigo na Alesp.

A maior parte dos cuidados com a alimentação e a saúde de Nina são de responsabilidade de Victorina, aposentada que atua na Associação dos Aposentados e Pensionistas da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ASPAL). A adoção da cadela, no entanto, foi feita de forma coletiva e, por isso, todos os funcionários da Casa Legislativa cuidam dela.

Além dos cuidados na Alesp, quando necessário, Nina é levada a consultas veterinárias por Victorina, que também financia a alimentação da cadela, composta por refeição caseira, já que ela passou a não aceitar mais ração.

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