Em Redenção, no sul do Pará, os integrantes da Associação de Amigos e Protetores de Animais (AAPA) reclamam da falta de apoio da prefeitura municipal para o atendimento de animais em situação de rua. Apesar de os cães abandonados enfrentarem dificuldades nas ruas e representarem problemas para a saúde pública, a Secretaria de Saúde de Redenção informou que não há a previsão para construção de um abrigo para esses animais.

A voluntária Lina Santiago fundou a AAPA há quatro anos. Ela tem dois empregos e o salário de um deles é todo usado para a alimentação e saúde de 20 gatos retirados das ruas. Só com ração ela gasta R$ 1.200 por mês, além de remédios, vermífugos, vacinas e a castração.

Apesar da despesa e também o trabalho para manter a casa limpa, ela diz que faz tudo com amor. “A gente criou um espaço para eles. Na verdade, eu e meu marido moramos com os gatos. A casa é deles, a gente mora de favor”, brinca Lina Santiago.

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Redenção tem uma população de 22 mil cães, sendo que 2 mil circulam em situação de abandono pelas ruas da cidade. Muitos deles vivem doentes.

Em quatro anos, entre cães, gatos e cavalos, a associação já resgatou das vias públicas mais de 2 mil animais. A cadelinha Ritinha foi resgatada é já passou por duas quimioterapias por causa de um câncer.

Além de Ritinha, a voluntária Marci Boese, que também é uma protetora dos animais, tem em casa mais seis cães. “Eu amo o que eu faço. Às vezes eu deixo de ir trabalhar para ir tratar de assuntos da AAPA, de resgatar animal em situação de risco, e risco esse que o município não ajuda a gente”, lamenta Marci.

Saúde pública
Os voluntários da associação cobram da prefeitura a construção de um canil público para os animais abandonados. Enquanto isso, eles fazem o que podem para alimentar e cuidar da saúde dos animais que encontram.

Cães abandonados representam um problema grave para a saúde pública. Os animais são transmissores da leishmaniose, uma doença que de 2012 ao final de 2014 matou quatro pessoas em Redenção.

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Como medida de controle, a unidade de Zoonozes do município induz a morte nos animais diagnosticados com a doença. Mas, a AAPA denuncia a crueldade de alguns dtutores de animais.

“A maioria das pessoas preferem matar com paulada, pedrada, com tiro e de outras formas cruéis, quando não fazem ainda pior que é abandonar o cachorro para morrer com fome, com sede, com frio e adquirindo outras doenças na rua”, afirma a voluntária Jackeline Cavalcante.

A secretária adjunta de saúde do município reconhece a importância do trabalho da associação, mas diz que no momento não há a previsão para construção de um abrigo público para os animais em situação de rua. “Já houve algumas reuniões para tratar o assunto e o prefeito, agora nessa gestão, está pensando nessa possibilidade. Ele ainda não tem data e nem previsão orçamentária, mas já está cogitando a possibilidade”, disse Ágda Cleide.

Fonte: G1

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