Cientistas chineses criaram camundongos bebês saudáveis ​​com duas mães e nenhum pai. O estudo inédito de edição de genética, divulgado na segunda-feira (15) pela revista cientifica Cell Stem Cell, pode colocar na gaveta o conceito de que, em algumas espécies, são necessários genes masculinos e femininos para gerar um novo ser vivo.

Ratos com dois pais também nasceram, mas sobreviveram por apenas 48 horas. Segundo a equipe de pesquisadores, não existe a pretensão de que o experimento seja estendido a seres humanos, mas as descobertas demonstram que, a partir de agora, somente as preocupações éticas podem limitar a utilização do método na reprodução in vitro.

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Em outras tentativas, os cientistas conseguiram produzir camundongos com pais e mães do mesmo sexo, mas os filhotes apresentavam anomalias severas e os métodos usados eram complexos, às vezes envolvendo várias gerações de ratos.

O problema superado na recente descoberta foi o “imprint genômico”. Normalmente, as células somáticas, as que não são reprodutivas, possuem partes dos genes do pai e da mãe, os chamados alelos. O “imprint genômico” é quando certos genes são expressos apenas por um alelo, suprimindo o outro.

Para alcançar o feito com filhotes saudáveis, os cientistas da Academia de Ciências da China começaram com células-tronco embrionárias de um rato fêmea, ou seja, com apenas metade das informações genéticas, assim como em espermatozoides e óvulos. Usando a ferramenta de edição de genes CRISPR, que funciona como se fosse uma tesoura de DNA, conseguiram remover o imprint que demandava a contribuição genética vinda de um macho. Foi necessário retirar 3 regiões do DNA em que havia esses registros. Isso fez com que o material genético da célula ficasse parecido com gametas masculinos.

Quando as células-tronco modificadas foram injetadas em um óvulo não fertilizado de um segundo camundongo fêmea, a combinação aconteceu e formou um embrião. Assim foi possível produzir 29 ratos vivos de 210 embriões fecundados. Todos nasceram normais, viveram até a idade adulta e conseguiram se reproduzir gerando seus próprios filhotes.

Fonte: Veja.

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