Os 100 primeiros dias do governo Bolsonaro foram marcados por retrocessos ambientais. Antes de ser eleito, Jair Bolsonaro havia prometido acabar com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao submetê-lo à pasta da Agricultura. Após ser eleito, ele voltou atrás na proposta devido à forte pressão que sofreu. Ele não desistiu, entretanto, de destruir o MMA. Isso porque nomeou como ministro Ricardo Salles, condenado em primeira instância por fraude, em favor de empresas mineradores, na elaboração de plano de manejo em uma Área de Proteção Ambiental.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

A partir de então, medidas e decretos começaram a ser colocados em prática para minar o ministério, diminuindo a capacidade de atuação da pasta, desfazendo conquistas importantes e impondo uma lei da mordaça aos servidores de alguns órgãos. As informações são do portal do Greenpeace.

Bolsonaro também adotou medidas e fez promessas que colocam a Amazônia em risco. Recentemente, ele anunciou que quer explorar a floresta amazônica em parceria com os Estados Unidos. Um ataque sem precedentes aos índios também foi iniciado com a transferência para o Ministério da Agricultura da responsabilidade pela demarcação de terras indígenas. O presidente disse ainda que irá rever todas as demarcações que puder e abrir terras indígenas para exploração agropecuária e mineração. Tais sinalizações já foram suficientes para estimular mais invasões e violência no campo, segundo dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

A decisão de Bolsonaro de explorar a Amazônia junto dos Estados Unidos é ilegal e afronta a soberania nacional, já que as áreas protegidas e as terras indígenas, que pertencem à União, podem ser entregues a empresas estrangeiras.

Outro ataque à agenda ambiental é o aumento da liberação de agrotóxicos. Em apenas três meses, 121 pesticidas foram liberados – um recorde se comparado aos últimos dez anos, considerando o mesmo período. Desses agrotóxicos autorizados, 41% são altamente ou extremamente tóxicos e aos menos quatro são tão nocivos à saúde humana que foram completamente banidos em vários países. Outros 241 novos pedidos de registro acatados podem levar à liberação de mais veneno para a alimentação da população e a contaminação do solo.

“Nestes primeiros 100 dias, o atual governo empenhou-se apenas numa agenda antiambiental. Não há, por exemplo, nenhuma nova medida de combate ao desmatamento da Amazônia. Os criminosos que destroem a floresta e roubam nossas riquezas, os vendedores de agrotóxicos que contaminam nossa comida e os que querem tomar as terras das populações indígenas são os únicos que têm algo a comemorar”, diz Marcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace.

As decisões de Bolsonaro, que tendem a continuar no mesmo rumo, podem fazer o Brasil perder décadas de esforço no combate ao desmatamento, colocar em risco a saúde da população e causar um prejuízo econômico e de imagem incalculável ao país, já que, cada vez mais, consumidores do mundo inteiro buscam por produtos sustentáveis e rejeitam aqueles que causam destruição ambiental. O governo francês, por exemplo, anunciou recentemente que não irá mais importar produtos agropecuários e florestais que contribuam o desmatamento da floresta amazônica.

“Bolsonaro não ganhou um cheque em branco da sociedade brasileira para destruir nossas riquezas naturais. Ele deve governar para o bem de toda a população, e não apenas de acordo com seus interesses ou grupos aliados. Iremos cobrá-lo 24 horas por dia da necessidade de proteger as florestas, assegurar a saúde da população e agir para barrar as mudanças climáticas. Continuaremos lutando contra todo retrocesso socioambiental, de forma independente, como tem sido ao longo dos nossos 27 anos de história no Brasil, não importando quem encontra-se na cadeira da Presidência da República”, afirma Astrini.

Confira aqui os atos e promessas de Bolsonaro que prejudicam a área socioambiental e aqui a lista de agrotóxicos liberados pelo governo.

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