Dez centros de castração da Prefeitura do Rio estão fechados – Eduardo Uzal 19-03-2018 / Agência O Globo

Os dez centros da Prefeitura do Rio onde são realizadas castrações de animais estão fechados desde a última terça-feira (7). O subsecretário da Secretaria municipal de Bem Estar Animal, Roberto de Paula, publicou em uma rede social que as cirurgias de esterilização estavam suspensas nas clínicas de Bonsucesso e Engenho de Dentro, na Zona Norte, no Gatil São Francisco de Assis, no Santo Cristo, na Região Portuária, e na Fazenda Modelo,em Guaratiba, na Zona Oeste. Segundo a prefeitura, o sistema de agendamento está com problemas técnicos.

Além das clínicas citadas pelo subsecretário, as cirurgias de castração eram realizadas em outras seis instalações temporárias. Os contratos das empresas que administravam os contêineres, que ficavam em Campo Grande, Bangu e Praça Seca, na Zona Oeste, em Coelho Neto e Vicente de Carvalho, na Zona Norte, e no Largo do Machado, na Zona Sul, não foram renovados. Houve um novo processo licitatório e, de acordo com a prefeitura, as empresas vencedoras estão instalando novos contêineres e equipamentos.

Segundo a veterinária da Associação Nacional de Implementação dos Direitos dos Animais (Anida), Andrea Lambert, as clínicas já vinham sendo sucateadas há alguns meses. No último dia 31, o Gatil São Francisco de Assis foi invadido e depredado. O local está fechado desde então.

“Para cada animal que não é castrado, nascem centenas de filhotes. A prefeitura castra cerca de 200 animais por dia, então imagine quantos animais nascerão nesse período em que as clínicas estiverem fechadas”, lamentou a veterinária.

A Subem adiou todas as cirurgias agendadas para as próximas semanas e informou que elas serão remarcadas em até dez dias, para a semana seguinte à reorganização da agenda de consultas. No mês passado, a Fazenda Modelo, uma das principais estruturas da Subem, foi alvo de uma série de denúncias dos usuários sobre a precariedade na estrutura do local, utilização de medicamentos vencidos e até de maus-tratos por parte dos funcionários. A então subsecretária da Subem, Suzane Rizzo, disse que as denúncias seriam fruto de um boicote feito pelos funcionários afastados da clínica dias antes.

A professora Ana Bush, que recolhe animais e os encaminha para as clínicas, conta que saiu às 7h da manhã da última terça para buscar um gato cuja castração estava agendada para o posto no Engenho de Dentro, mas encontrou o lugar fechado.

“Eu costumo abrigar 18, 20 animais na minha casa. A gente recebe, busca por pessoas interessadas em adotar um deles, e ainda promete levar para a castração assim que os animais tiverem idade para o procedimento. Hoje eu tinha essa visita agendada, mas não consegui ser atendida, e o animal fica 12 horas sem se alimentar pra nada”, conta Ana, que é protetora cadastrada pela prefeitura.

Nesta quinta, a Câmara Municipal do Rio aprovou uma lei (6.387/2018), de autoria do vereador Luiz Carlos Ramos Filho (Podemos), presidente da Comissão dos Direitos Animais, que institui o Serviço de Farmácia Veterinária Popular em toda a cidade, com intuito de ampliar o atendimento clínico veterinário aos animais da população de baixa renda. O projeto ainda depende da sanção do prefeito Marcelo Crivella.

No mês passado, o prefeito sancionou outra lei sobre saúde animal, que instituía os chamados “Castramóveis”. As unidades itinerantes serão adaptadas para a castração em domicílio, a fim de atender os animais da população de baixa renda.

Fonte: O Globo

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