Foto: Divulgação

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A tecnologia que reduziu de forma impressionante a caça de rinocerontes em uma reserva caça sul-africana poderá ser usada para ajudar outras espécies ameaçadas em todo o mundo, à medida que os conservacionistas e desenvolvedores do projeto buscam novas formas de deter os caçadores antes que eles consigam chegar até a vida selvagem.

A Dimension Data e a Cisco apresentaram pela primeira vez o resultado de seu esforço conjunto, a Conected Conversation, em 2015. A tecnologia usa uma mistura de sensores, circuito interno de câmeras, biometria e wi-fi para detectar caçadores em uma área remota no noroeste do país (África do Sul), onde há muito pouca comunicação eletrônica disponível.

O objetivo da iniciativa é rastrear pessoas em vez de animais, coletando dados sobre aqueles que entram no perímetro e enviando alertas aos guardas do parque quando uma atividade incomum é detectada.

Atualmente, os rinocerontes brancos estão quase no status de ameaçados, enquanto os rinocerontes-negros já são classificados como ameaçados de extinção, com apenas pouco mais de 5 mil membros da espécie vivos, segundo a World Wildlife Foundation (WWF).

A África do Sul abriga a maioria dos rinocerontes do mundo, que estão sob ameaça constante de caçadores. Os criminosos removem seus chifres e os vendem no mercado paralelo por preços mais altos que o ouro.

O chifre de rinoceronte é procurado por aqueles que acreditam que ele tem poderes medicinais para curar doenças como câncer e ressaca, embora seja o membro seja composto em grande parte por queratina, uma proteína também encontrada nos cabelos e unhas.

O projeto de proteção já foi lançado na Zâmbia, com outro equipamento já pronto para começar o monitoramento no Quênia, mas os conservacionistas por trás da tecnologia agora estão procurando novos locais para expandir mais ainda a tecnologia, com um número grande de interessados da Índia, Nova Zelândia e outros.

“Eu acredito que a tecnologia seja particularmente adequada para a África, onde o que estamos procurando é salvar rinocerontes, elefantes, leões e pangolins, e todas as demais espécies ameaçadas”, disse Bruce Watson, conservacionista e executivo do grupo da Aliança Cisco com a Dimensiona Data.

“Existem cerca de 7 mil espécies ameaçadas em todo o mundo, mas o que vamos fazer agora é pegar a solução e movê-la para a Índia”, afirma Watson.

“Recebemos dois pedidos de parques de proteção aos tigres na Índia, solicitações na para a Ásia, e até tivemos requisições de uma baía na Nova Zelândia para proteger raias, baleias e tubarões.

“Fomos contatados por um parque em Montana nos EUA, que será um imenso parque de pradarias, provavelmente uma das maiores reservas do mundo, para colocar nossa solução tecnológica contra a caça lá também”.

“E depois vamos levar nossa descoberta para a América do Sul, para proteger onças e leões da montanha”.

O projeto tem sido um enorme sucesso para na área de conservação e proteção até agora, não tendo perdido um rinoceronte para a caça desde janeiro de 2017. Em seus dois primeiros anos de operação, a tecnologia conseguiu reduzir a caça na reserva em 96%.

Nacionalmente, a África do Sul também registrou queda na caça, com 508 rinocerontes mortos nos primeiros oito meses de 2018, uma redução de 26% em relação ao mesmo período de 2017.

Além da expansão para proteger outras espécies, a Connected Conservation também está explorando novas soluções para aprimorar seu próprio trabalho, usando aprendizado de máquina (termo original: machine learning), inteligência artificial e sensores mais sofisticados.

“A solução proativa está criando um refúgio seguro para os animais andarem livremente e protegendo a terra contra pessoas mau intencionadas, que fazem parte da fraternidade da caça”, continuou Watson.

“O número de incursões diminuiu de forma acentuada – o número de tiros disparados, o número de cercas de arame cortada em pontos de entrada, todos foram reduzidos.”

No entanto, o conservacionista alertou que os caçadores estão continuamente tentando truques alternativos para entrar na reserva protegida com a nova tecnologia.

“Muitas vezes o que eles fazem é rastejar por uma estrada, por exemplo, usando os cotovelos e joelhos, então você não pode pegar os rastros de sapatos ou pés para interceptar esse estratagema”, disse ele.

“Às vezes eles colocam seus sapatos no sentido errado, então parece que eles estão saindo da reserva, em vez de entrar na reserva.

“Os caçadores também colocam uma garrafa plástica nos pés, para que o sistema pense que é apenas um pequeno antílope cruzando a estrada.”

Watson elogiou o Reino Unido e a família real por sua ajuda sobre o assunto, depois de participar da Conferência sobre o Comércio Ilegal da Vida Selvagem em Londres, no ano passado, com o ministro responsável pelo combate ao tráfico internacional de animais, Mark Field.

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