O lixo plástico vem do continente e acaba no atol de Aldabra | Foto: Sky News/Reprodução

O lixo plástico vem do continente e acaba no atol de Aldabra | Foto: Sky News/Reprodução

Cientistas estimam que pode haver mais de mil toneladas de plástico no distante atol de corais de Aldabra, no arquipélago de Seychelles.

Considerado um dos patrimônios da humanidade, o belíssimo atol declarado reserva natural, lar de diversas espécies raras, recebe lixo do continente trazido pelas correntes marinhas e marés altas.

A ilha, conhecida como “Galápagos do Oceano Índico” pela enorme variedade de vida da região, fica a mais de 640 quilômetros da presença (social) humana mais próxima.

Mas a sua posição em relação as correntes oceânicas, resulta, que a cada maré alta, mais plástico será trazido para o atol.

O acesso ao atol, parte das ilhas Seychelles, é estritamente controlado por razões de biossegurança, cientistas que vivem na estação de pesquisa da ilha relatam a ameaça que o plástico representa para a vida selvagem do lugar.

Eles contam à equipe do Sky News que já chegaram a ver tartarugas rastejando sobre garrafas plásticas e outros detritos para conseguir por seus ovos na areia.

Cheryl Sanchez, a coordenadora de ciências da estação, disse: “Elas são muito fortes. Elas têm que empurrar o lixo pro lado, o que elas conseguem fazer. Mas isso depende também de quanto lixo plástico está acumulado ali e é preciso pensar nesses filhotes que logo estão chegando também”

“Eles são muito menores e precisarão rastejar sobre tudo isso”.

Perigo sedutor

As tartarugas gigantes de Aldabra também estão em risco.

Elas se recuperaram de uma quase extinção, chegando a uma população que agora atingiu de cerca de 150 mil habitantes, mas o plástico é uma nova ameaça.

As tartarugas acham o plástico irresistível, dizem os cientistas, particularmente os amarelos e vermelhos, possivelmente porque elas confundem com frutas.

Jessica Moumou, pesquisadora da Fundação Ilhas Seychelles, disse: “Eles comem pedaços e, às vezes, chinelos, garrafas plásticas e escovas de dentes inteiros.

“Você puxa o plástico e agarra pra tomar delas, mas eles não largam.”

Uma equipe conjunta da fundação científica e do The Queen’s College, da Universidade de Oxford, está agora limpando a costa sul de Aldabra.

Eles removeram até agora 22 toneladas de plástico.

Foto: Sky News/Reprodução

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Cordas de plástico e redes de pesca representam a maioria dos detritos por peso, mas garrafas, isqueiros e particularmente chinelos também são muito comuns em meio a todo o lixo encalhado.

Jeremy Raguain, um dos organizadores do Projeto de Limpeza Aldabra, disse que espera que a equipe colete pelo menos de 50 a 60 mil chinelos.

“Eles são bem duráveis”, disse ele. “As correntes podem levá-los para longas distâncias.

“Que nosso lixo termine aqui está errado.

“Aldabra é uma área protegida maravilhosa, mas há limites sobre o quanto podemos protegê-lo, seja da mudança climática ou da poluição de plástico.

“As imagens mostram que você pode estar a um milhão de quilômetros de distância e você ainda pode ter um impacto sobre este lugar.”

Os cientistas estão preocupados que o plástico possa trazer com ele espécies invasoras.

Lindsay Turnbull, do The Queen’s College de Oxford, e administradora do SIF, conta que encontrou um sapato de espuma que estava na água há tanto tempo que estava incrustado com enormes percebes (crustáceos que destroem corais).

“O plástico está trazendo isso pra cá”, disse ela.

Temos em Aldabra uma espécie marinha invasora que costumava ser encontrada apenas na ilha de Guam. Aos poucos, ela se espalhou pelo Oceano Índico.

“Esta espécie é conhecida como um assassino de corais. Nós não queremos isso aqui.”

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