“Imprensa e o tráfico de animais: uma relação que ainda não amadureceu” foi o tema da palestra realizada por Dimas Marques, editor do site Fauna News e voluntário nas ONGs Profauna e Freenland Brasil, no último sábado (19/03), no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Marques iniciou o discurso esclarecendo o que é o tráfico de animais e desde quando está presente na sociedade. Explicou que antes de 1500 já existia a venda de animais silvestres, porém a comercialização deles não era considerada como tráfico, porque não havia proibição. Só em 1967 passou a existir a lei de proteção à fauna, o combate a esse tipo de crime ainda não era efetivo.

“Quem cria, em tese, tem as mesmas punições que quem realiza o tráfico”, alertou o jornalista sobre como funciona a lei, mas ele deixa claro que não é a favor dessa igualdade de punição, que defende a mudança dessa lei para que quem trafica seja tratado com mais severidade. Devido à flexibilidade das leis, muitos dos que compram ou vendem pagam algumas multas e, devido a pena não exceder dois anos, os imprudentes podem optar por cumprir serviços voluntários, assim não sofrem um processo.

Alguns dados são utilizados por ele para explicar melhor a situação: “Entre 60% e 70% desse comércio ilegal no Brasil é destinado para o comércio interno”. Ao contrário do que diversas pessoas pensam, a maioria dos traficantes não tem o intuito de vender no exterior, ele comercializam os animais “não comercializáveis” aqui mesmo. E, segundo a visão global, o tráfico de animais silvestres é a terceira atividade criminosa mais lucrativa. “Eles só são vendidos porque tem quem compre”, ressaltou.

“A cobertura desses casos sofre de antropocentrismo”, disse Marques. O editor mostrou exemplos de matérias jornalísticas tendenciosas, em que o tráfico desses animais é divulgado sim, mas não com um viés de denúncia e alerta para o público sobre o crime. O material jornalístico é apresentado de uma forma antropocêntrica, colocando os interesses dos seres humanos – tornar um animal silvestre em um animal domesticado – em primeiro lugar. Em meio a esses interesses não é levado em consideração o bem-estar do animal. O crime vira algo comum.

Criar papagaio em casa sem autorização do IBAMA é ilegal. “Você nunca vai ter um papagaio pleno, só terá a sombra dele”, alertou Marques, enfatizando que essa ave, como tantas outras, ao ser colocada em cativeiro, é privada de desfrutar do seu habitat e de voar.

Aos jornalistas, sugeriu: “Não fique apelando para o emocional ou para a espetacularização do fato, contextualize isso, amplie a pauta, permita a reflexão”.

Fonte: Comunique-se

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