Filhotes de Chitas brincam nas rodas de um jipe de safári turístico em Maasai Mara | Foto: Jim Varley

Filhotes de Chitas brincam nas rodas de um jipe de safári turístico em Maasai Mara | Foto: Jim Varley

Atividade turística em excesso pode levar a uma redução dramática no número de chitas (ou guepardos) capazes de atingir a idade adulta, descobriu uma nova pesquisa.

O estudo realizado na savana de Maasai Mara, no Quênia (África), descobriu que em áreas com alta densidade de veículos turísticos, o número médio de filhotes que uma mãe levou à independência era de apenas 0,2 filhotes por ninhada, menos de um décimo dos 2,3 filhotes por ninhada esperados em áreas com baixo turismo.

Uma pesquisadora da Universidade de Oxford, Dra. Femke Broekhuis, também autor do estudo, pesquisou as chitas na reserva entre 2013 e 2017 para avaliar como a freqüência de veículos turísticos havia afetado o número de filhotes que sobreviveram até a idade adulta.

“Durante o estudo não houve provas concretas de mortalidade direta causada por turistas”, como por exemplo, no caso de veículos que acidentalmente atropelam filhotes, disse Broekhuis. “Portanto, é possível que os turistas tenham um efeito indireto na sobrevivência dos filhotes alterando o comportamento de uma chita, aumentando os níveis de estresse dos animais ou minimizando o consumo de alimentos.”

Broekhuis disse que chegou a ver até 30 veículos ao redor de uma única chita ao mesmo tempo. “A vez que mais vimos veículos eram 64 veículos em um período de duas horas em um avistamento de chitas”, disse ela.

Muitos veículos turísticos juntos podem reduzir a taxa de sucesso de caça das chitas, sugere o estudo, e mesmo se a caça for bem-sucedida, a perturbação dos turistas poderia levar uma fêmea a abandonar sua matança de presas, tornando-a menos propensa a prover seus filhotes.

Broekhuis afirmou ser “crucial que diretrizes estritas de observação da vida selvagem sejam implementadas e cumpridas”, e sugeriu limitar o número de veículos em torno de uma chita ao máximo de cinco, não permitindo que eles cheguem a menos de 30 metros.

A doutora Sarah Durant, ecologista de chitas do Instituto de Zoologia e da Sociedade Zoológica de Londres, que não participou do estudo, sugeriu que a condução off-road (veículos que conseguem sair da estrada e entrar no mato) também deveria ser proibida e fiscalizada, pois isso permite que as chitas evitem os veículos turísticos, se assim desejarem. Da forma como o turismo esta sendo praticado ele não é sustentável e o seu preço tem sido o da própria espécie que esses parques são exatamente projetados para proteger”.

Mas Broekhuis faz questão de enfatizar que a indústria do turismo não deve ser demonizada. “Os turistas podem desempenhar seu papel na conservação, respeitando a vida selvagem e minimizando distúrbios em avistamentos, especialmente de pais com jovens”, concluiu.

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