A foto foi encontrada no México, mas não se sabe ao certo onde ou quem teria assassinado o animal | Foto: Northern Jaguar Project

Uma das duas onças conhecidas por circular pelas montanhas de Huachuca, no Arizona (EUA), próximo à fronteira com o México, foi dada como morta após uma fotografia mostrando uma pele de onça surgiu no México.

As marcas na pele de onça aparentemente coincidem com as de Yo’oko. A onça que foi fotografada várias vezes ao norte da fronteira mexicana em 2016 e início de 2017. O último registro do animal foi em março do ano passado.

O nome do animal foi escolhido por crianças na escola Hiaki em Tucson (EUA) e significa “onça” em Yaqui – a língua da tribo local de mesmo nome.

As onças-pintadas são listadas como uma espécie em extinção nos EUA e no México e é ilegal mata-los.

A fotografia da pele foi liberada para a mídia pelo Northern Jaguar Project, que atua em uma reserva em Sonora, a 128 km ao norte de Tucson, e que trabalha para proteger as onças.

O grupo afirma não saber quando a fotografia foi tirada nem quem a tirou, mas disse que ela foi tirada no México.

O padrão de marcas pretas em cada onça é único, permitindo que especialistas identifiquem indivíduos.

Jim DeVos, diretor assistente de gestão da vida selvagem do Departamento de Pesca e Caça do Arizona, em Phoenix, disse que seis autoridades de caça e pesca analisaram a foto mais recente e a compararam a uma foto anterior da onça. Eles encontraram “uma correlação muito alta entre as duas imagens” com base em padrões pontuais nas fotos, ele disse.

“Não há muito mais a dizer. Nós não conhecemos nenhum dos detalhes – onde, quando, como. Estamos tentando obter o máximo de informações possível”, acrescentou DeVos.

“Essa tragédia é gritante”, disse Randy Serraglio, do Center for Biological Diversity, que anunciou a notícia. “Ela destaca a urgência de proteger o habitat da onça-pintada em ambos os lados da fronteira e garantir que esses raros e belos animais tenham locais seguros para viver”.

“Devemos continuar trabalhando para superar o preconceito cultural de que as onças são de alguma forma inimigos das pessoas”, disse Serraglio. “Os povos indígenas das Américas reverenciaram as onças como poderosos espíritos da natureza por milhares de anos. Quem matou Yo’oko poderia aprender muito com eles”.

Ele acrescentou: “A presença de onças em nossas montanhas mostra que elas ainda estão inteiras e selvagens. O pensamento de ter que explicar para as crianças da escola Hiaki que alguém matou sua onça favorita realmente parte o meu coração”.

A onça pintada Yo'oko, vista nas montanhas Huachuca em 2016 | Foto: Center for Biological Diversity

A onça pintada Yo’oko, vista nas montanhas Huachuca em 2016 | Foto: Center for Biological Diversity

As onças são o terceiro maior felino do mundo, depois dos tigres e leões. Até o início do século XX, eles eram comuns em todo o sudoeste americano, estendendo sua presença para o norte até o Grand Canyon e Colorado, assim como nas montanhas do sul da Califórnia e no extremo oriente em Louisiana.
A espécie praticamente desapareceu dessa região nos últimos 150 anos devido à perda de habitat e aos programas históricos de controle de predadores do governo dos EUA, destinados a proteger o gado.

As onças pintadas continuam a se mover do México para o Arizona, mas os planos de Trump de construir um muro de fronteira entre os EUA e o México são considerados uma grande ameaça ao retorno dos animais ao país.

Sete onças foram confirmadas por fotografias nos Estados Unidos nos últimos 20 anos.

Carmina Gutierrez Gonzalez, bióloga do projeto onça-pintada, disse ao jornal Arizona Star: “Estamos muito chateados. É terrível. Estamos muito tristes que alguém tenha matado a onça. Eu simplesmente não posso acreditar nisso. É muito triste para nós.”

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