Uma fêmea de urso panda que vive aprisionada no Zoológico de Viena, na Áustria, está sendo explorada para gerar lucro para o estabelecimento através de quadros que o animal é forçado a pintar.

Não se sabe como Yang Yang, como é chamada, foi ensinada a pintar, o que gera preocupação, já que métodos cruéis costumam ser usados nestes casos, como já foi provado em relação aos elefantes, que, segundo a ONG Born Free, “enfrentam meses de abusos físicos para aprender a segurar um pincel, desenhar uma linha e pintar flores e folhas”. No entanto, independentemente da fêmea de urso panda ter sido ou não submetida a maus-tratos, é nítido que, ao pintar, ela realiza uma atividade totalmente anti-natural para um animal.

(Foto: HEINZ-PETER BADER / REUTERS)

Até o momento, Yang Yang foi forçada a fazer cem pinturas. Além de ser aprisionada para entretenimento humano e ser reduzida a uma mera atração no zoológico, a ursa é explorada para pintar quadros pelo mesmo motivo do aprisionamento: gerar lucro aos proprietários do estabelecimento que a aprisiona tanto exibindo-a como se fosse um objeto, quanto comercializando os quadros pintados por ela a 490 euros cada – cerca de R$ 2,4 mil, segundo informações do portal Extra.

As pinturas fazem parte dos itens ofertados por uma campanha realizada em um site de financiamento coletivo que oferece também visitas guiadas aos bastidores do programa de reprodução de pandas – que traz ao mundo novos animais que já nascem condenados a viver aprisionados em cativeiro – e bambus com marca de mordidas dos pandas.

O objetivo da campanha é arrecadar 25 mil euros para a produção de um livro ilustrado que, segundo o fotógrafo responsável pela publicação, Daniel Zupanc, “vai mostrar as fotos mais bonitas dos pandas do zoológico” e “vai contar a história completa dos animais: desde as primeiras negociações com a China e a chegada do casal Yang Yang e Long Hui, em 2003, ao nascimento dos gêmeos Fu Feng e Fu Ban”. O livro também pode ser encomendado, inclusive com uma dedicatória comercializada pelo zoo, que também vende uma edição “autografada” pela ursa.

(Foto: HEINZ-PETER BADER / REUTERS)

Enquanto Zupanc se propõe a elaborar o livro por ver beleza em animais aprisionados, o fotógrafo canadense Gaston Lacombe vê tristeza e solidão. E para registrar a infelicidade do cativeiro, ele viajou por nove países fotografando animais em zoológicos. Lacombe diz ser extremamente importante o trabalho de preservação e reprodução de espécies, mas não vê sentido algum em manter os animais vivendo em cativeiro.

 Para pintar os quadros que serão comercializados para elaboração do livro, Yang Yang fica em uma área específica de uma jaula, onde há tinta preta e folhas de papel, que são seguradas por tratadores. Imagens divulgadas da ursa pintando, presa atrás de grades, demonstram a capacidade que tem o ser humano em ser cruel com os animais, explorando-os em nome do dinheiro.

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