Cachoeira, piscina e gruta estão entre as novidades que preenchem os dias dos ursos trazidos do Ceará


 

Foto: Biga Pessoa

Por: Fátima ChuEcco

Há dez dias os ursos Verrú e Mizar deixaram para sempre uma vida de prisão e exposição ao público, no zoo de Canindé, no Ceará, para desfrutar de um ambiente que imita o natural no Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, em Joanópolis, divisa de SP com Minas Gerais. O novo recinto, com 1.900 m² e patrocinado pelo Instituto Luisa Mel, tem uma variedade de atrações que os ursos pardos adoram: cachoeira, piscina, gruta, camas suspensas forradas de feno e amplo espaço gramado com árvores frutíferas.

O espaço foi usado pela ursa Rowena, falecida em julho deste ano, aos 36 anos de idade, devido a um tumor ovariano que causou lesões em seu cérebro. Rowena passou sete anos no Zoológico de Teresina-PI e era irmã de Mizar. A ideia original era fazer o reencontro das duas, separadas há 20 anos. No entanto, Rowena morreu logo depois do lançamento do livro infantil “Amiga Ursa”, de autoria da cantora Rita Lee e que tem entre as protagonistas, além da própria ursinha, Luisa Mel e Brigite Bardot.

Foto: Biga Pessoa

Os ursos ganharam nova “casa” e também novos nomes. É uma tradição do Rancho dos Gnomos rebatizar os animais para descaracterizar o período que passaram em sofrimento. “Os novos nomes visam deixar o passado para trás e permitir uma vida nova num local novo e com energia nova”, explica o casal Marcos e Silvia Pompeu, fundadores do Rancho. Assim, o urso Dimas recebeu o nome de Verrú, que significa “força da superação” e Kátia passou a se chamar Mizar, que é a estrela de brilho mais intenso da constelação da Ursa Maior.

“A querida Mizar não nega ser irmã da adorável Rowena, sempre cautelosa e fazendo tudo ao seu tempo. Tem o andar lento, mas preciso. No domingo ficou na piscina mergulhando, bebendo água da cascata e brincando de bola. Já Verrú não faz cerimônia. Com seu jeitão maroto entra na piscina e faz muitas molecagens dentro da água. Estamos muito atentos para conhecê-los, observando o comportamento de cada um para entender como será a dinâmica de tratamentos”, comenta o casal Pompeu no instagram https://www.instagram.com/ranchodosgnomos/ que tem 172 mil seguidores e reúne vídeos encantadores da dupla de ursos.

Foto: Biga Pessoa

Marcas da exploração

Verrú viveu 11 anos no zoo de Canindé e tem hoje aproximadamente 27 anos de idade. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Verrú foi encontrado por moradores às margens da BR-222, em Sobral (CE), depois de ser abandonado pelo circo em que se apresentava, provavelmente como dançarino. Ele tinha uma lesão em um dos olhos, teve todas as garras dianteiras retiradas quando ainda era filhote e seus dentes extraídos, restando apenas os molares. Mizar passou 8 anos no mesmo zoo e tem cerca de 35 anos. Foi apreendida pelo Ibama em um circo.

A viagem para um novo começo

O transporte de animais selvagens de um estado para outro, ainda mais quando já passaram por muito sofrimento e estão com idade avançada, é sempre muito delicado e envolve inúmeras ações estaduais, federais e recursos para a movimentação por vias áreas e terrestres, sem falar nos inúmeros especialistas que precisam acompanhar cada passo da operação. O deslocamento pela companhia aérea Latam Cargo, por exemplo, foi acompanhado por veterinários a fim de cumprir todas as medidas de segurança dos animais.

Foto: Biga Pessoa

“Quando chegou o momento tão esperado de soltar Verrú em sua casa nova, toda equipe envolvida no processo se emocionou muito. O urso saiu de sua caixa transportadora e logo começou a cheirar o lugar e se ambientar de forma muito espontânea. Ele se encantou com a piscina e não perdeu a oportunidade de se refrescar. Mizar adorou a toca e passou a cavar. Ao entrar na nova casa caminhou no mesmo sentido onde sua irmã Rowena costumava ficar”, relata o casal de ambientalistas.

Como são os ursos pardos

O urso pardo é natural da Rússia, Asia central, China, Canadá, Estados Unidos (principalmente o Alasca), Escandinávia e Romênia. Está acostumado a temperaturas frias e amenas. Durante o inverno, busca covas e cavernas para entrar em estado de letargia, que pode durar até sete meses. Durante esse período, sua temperatura corpórea cai levemente (32 °C a 35 °C), e sua respiração e batimentos cardíacos diminuem drasticamente de ritmo. Também não come, não urina e não defeca neste período de hibernação utilizando energia apenas de sua gordura acumulada.

Foto: Biga Pessoa

O urso pardo vive de 25 a 30 anos na natureza, mas em cativeiro pode passar dos 40. Mede de 1,70 m a 2,80 metros de altura. Sua dieta abrange mariposas, larvas, frutas silvestres, mel, pequenos roedores e, dependendo da região que habita, até grandes animais como cervos e alces. Normalmente, os ursos pardos evitam os humanos, mas com a perda do habitat natural eles estão cada vez mais se arriscando a buscar comida nas lixeiras das casas e até se aproximam de turistas para receber alimento.

No passado os ursos dançarinos eram comuns em circos da Rússia, Europa e todo o continente americano. O treinamento sempre foi extremamente doloroso forçando os ursos a pularem sobre chapas quentes o que os condicionava a repetir o ato diante das plateias ao ver a mesma plataforma que gerava sofrimento. As narinas eram perfuradas para a colocação de uma argola por onde eram puxados e controlados pelas pessoas que os exploravam. Embora essa não seja mais uma prática comum, ainda há vários ursos dançarinos espalhados pelo mundo.

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